Paralisação

Atos, manifestações e paradas em todo o estado marcam Greve Geral no RN

Com ações em todas as regiões do estado, dia de paralisação é considerada um sucesso

Brasil de Fato | Natal (RN)

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Ação realizada de madrugada só foi encerrada pela manhã com chegada de forças militares / Isadora Morena

“Para barrar essa Reforma, só Greve Geral!”, gritavam os manifestantes na Rotatória de Extremoz, caminho para o Distrito Industrial, na Grande Natal. Membros de movimentos populares e sindical interditaram, nas primeiras horas do dia, as BR’s 406 e 101, com o intuito de impedir a circulação de pessoas e mercadorias. Boa parte do setor produtivo foi paralisado, dando início à Greve Geral no RN contra a Reforma da Previdência, instaurada pela PEC 06/2019.

Participaram da atividade sindicatos vinculados à Central Única de Trabalhadores (CUT) e membros do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), União da Juventude Revolucionária (UJR), Unidade Popular (UP), Levante Popular da Juventude e Amélias – Mulheres do Projeto Popular.

A ação foi interrompida às 6h30 da manhã com a chegada da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Os policiais não estavam identificados e agiram com truculência. A presidenta da CUT, Eliane Bandeira, foi alvo de gás de pimenta quando tentava negociar com as forças militares. O episódio foi televisionado ao vivo. A CUT emitiu uma nota de repúdio contra a repressão policial. 

Em outras partes do estado, as rodovias também foram paralisadas pela manhã. O Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fechou a BR 406 em três 3 pontos, sendo um em João Câmara e dois em Ceará Mirim, BR 101, em Touros; as BR’s 222 e 226, em Tangará; e a BR 304, em Mossoró, no sentido Fortaleza. A mobilização, além de integrar a Greve Geral, faz parte da Jornada de Lutas "Ocupar é direito: por terra, trabalho e direitos sociais!", do movimento

Na Capital, o Sindicato dos Transportes Rodoviários do RN contribui com a Greve. Os ônibus da cidade, que costumam começar a sair das garagens às 4h30 da manhã, só circularam a partir das 7h. A categoria sinalizou que pararia 100% da  frota, mas o sindicato foi obrigado por decisão judicial a garantir 40%. Com o transporte público afetado, vários setores reduziram a produtividade.

Todas as agências bancárias de Natal amanheceram fechadas. O Sindicato dos Bancários do RN, filiado à Central Sindical e Popular Conlutas (CSP/Coluntas), conseguiu fechar agências em pelo menos outros cinco municípios, como Macau, Currais Novos e Açu.

As agências dos Correios também paralisaram. O Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares do Estado Rio Grande do Norte aderiu à Greve Geral. A limpeza pública também foi afetada, porque os garis pararam suas atividades.

Na educação pública, a paralisação atingiu as redes municipal, estadual e federal. A UFRN e Ufersa amanheceram esvaziadas, com a aderência de professores, técnicos e, também, estudantes. Institutos Federais espalhados pelo estado também pararam. As escolas de educação básica paralisaram integralmente.

Todas as delegacias especializadas estão fechadas, atuando apenas as de plantão. Serviços como unidades de saúde funcionam com contingente de trabalhadores reduzido.

Avaliação

Eliane Bandeira, presidenta da CUT RN, maior entidade sindical do estado, avaliou que a “Greve Geral aqui no estado está sendo um sucesso. A classe trabalhadora está dando resposta aos ataques. Apesar da repressão policial, o movimento resistiu e continua na luta até a noite. O Estado parou”. Segundo ela, 90% das categorias vinculas à Central paralisaram suas atividades.

Atos

Antônio Pedroza, Angicos, Paus dos Ferros, Caicó e outros municípios realizaram atos públicos pela manhã. Mossoró e Natal realizam protestos à tarde, onde são esperadas milhares de pessoas.

Em Natal, a atividade tem concentração marcada para às 15h no cruzamento das avenidas Bernado Vieira e Salgado Filho e caminhada até a Árvore de Mirassol. Em Mossoró, a manifestação será realizada a partir das 15h com concentração na Igreja Católica do Alto de São Manoel e caminhada até a Praça do Pax (centro).

Edição: Marcos Barbosa