Em Curitiba

“Prisão de Lula mancha o Estado de Direito”, diz favorito à eleição argentina

Alberto Fernández e o ex-chanceler Celso Amorim prestaram solidariedade ao ex-presidente nesta quinta-feira (4)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,

Ouça o áudio:

Após encontro na Superintendência da Polícia Federal, os dois visitaram a Vigília Lula Livre / Eduardo Matysiak

Preso político desde abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, nesta quinta-feira (4), a visita de Alberto Fernández, candidato à Presidência da Argentina. No encontro privado, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim acompanhou o líder das pesquisas eleitorais no país vizinho. Após a conversa, os dois visitaram a Vigília Lula Livre. 

Fernández tem como companheira de chapa a ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner. Ele foi chefe de gabinete de Néstor Kirchner e de Cristina entre 2003 e 2008, quando Lula era presidente do Brasil. “A detenção de Lula é uma mancha para o Estado de Direito. Eu me preocupo muito que estas coisas ocorram no nosso continente. O povo brasileiro não merece que alguém como Lula esteja preso”, disse o argentino.

Professor de Direito Penal na Universidade de Buenos Aires (UBA) há mais de 30 anos, Fernández afirmou que estará ao lado de Lula até que o sistema judicial entenda que se deve respeitar os direitos e as garantias de todos os cidadãos: “Talvez o governo do Brasil não perceba que está criando uma mancha muito grande para o seu governo mantendo preso um homem como Lula, de quem não duvido da inocência e que realmente tem todo o direito de estar em liberdade, também para se defender”.

Direto da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), o candidato a presidente da Argentina relacionou a detenção de Lula com outros casos de perseguição política no continente. “[Os processos contra Lula e Cristina Kirchner] são muito parecidos. Eu falei há pouco com Lula sobre três casos que me parecem emblemáticos: o do Equador, o da Argentina e o do Brasil. Nos três casos, os perseguidos são líderes que em algum momento governaram esses países. Nos três casos, as provas são forçadas para poder envolver os presidentes em fatos que não tem nada a ver com a realidade, nos quais eles nunca estiveram envolvidos”, analisou.

Celso Amorim, por sua vez, afirmou que a possível vitória de Fernández e Kirchner representaria a esperança de retomada da democracia na América Latina. “O presidente Lula, por sua vez, disse que a primeira tarefa do Alberto Fernández é ganhar as eleições na Argentina. Porque com isso, como já aconteceu no passado, haverá uma onda positiva de democracia e volta de justiça social e interesse na soberania”, disse.

Recebido com muita festividade, o ex-ministro das Relações Exteriores comemorou a resistência da Vigília Lula Livre: “Lula sempre agradece muito por vocês estarem aqui e darem esse alento de emoção para ajudar a resistir a essas injustiças e continuar lutando”.

Ao final da entrevista coletiva, Fernández aderiu ao abaixo-assinado que pede a anulação dos julgamentos das ações penais contra o ex-presidente. A carta é endereçada aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O oponente de Fernández nas eleições de outubro é Mauricio Macri, atual presidente argentino. O candidato favorito destacou a alegria em visitar o petista que, segundo ele, é muito estimado pelo povo argentino. O favorito às eleições no país vizinho ainda brincou que futebol foi o único assunto do qual não falaram.

"Não temos nenhuma possibilidade que não seja estar bem com o Brasil. O país elegeu um presidente, e eu respeito a decisão do povo brasileiro. Com o povo do Brasil só podemos estar bem. Só podemos estar unidos", finalizou.

Edição: Daniel Giovanaz