Cultura e Resistência

Festival Elas por Elas reúne mulheres para debater política através da arte

Essa é a primeira edição do evento aberta ao público, em forma de festival e com o tema Cultura, Comunicação e Trabalho

Brasil de Fato | Natal (RN)

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Evento reuniu diversas personalidades políticas e culturais do Brasil / Luísa Medeiros

Cerca de 1200 mulheres de todo Brasil estiveram presentes, durante este último final de semana (2, 3 e 4 de agosto), no Festival Elas por Elas, um marco na formação e participação política feminina nacional. O evento, que ocorreu em Natal (RN), teve como principal propósito reunir mulheres para discutir política através da cultura.

Iniciado em 2018, através de um projeto da Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT) para incentivar a formação, comunicação, e assessoria jurídica e contábil feminina, o Elas por Elas tomou novas caras e, em 2019, abriu as portas. Dessa vez, indígenas, quilombolas, filiadas a partidos, mulheres de movimentos sociais e independentes, foram para o Festival em torno de quatro itens principais: poema/poesia, cultura, comidas típicas e artesanato.

“O legal é que o Festival não é só das mulheres do PT, ele é aberto para todas, e a gente conseguiu aproximar muito. A nossa pegada é dialogar sobre cultura, comunicação e trabalho, então é juntar toda essa mulherada para debater isso”, afirma a secretária Nacional de Mulheres do PT Anne Karolyne.

Segundo ela, o Rio Grande do Norte foi escolhido para sediar essa nova etapa de formação política das mulheres devido a grande representatividade feminina que o estado conquistou, principalmente, nas últimas eleições: além da única governadora do Brasil (Fátima Bezerra), uma vereadora em Natal (Divaneide Basílio), uma deputada estadual (Isolda Dantas) e uma deputada federal (Natália Bonavides), “a gente tem um timaço que fez, de imediato, escolhermos o RN.”

Além das apresentações culturais e mesas de debate, o Festival também foi marcado por artesanato e comidas típicas expostos em uma feirinha livre. Foto: Kennet Anderson.

O tema “Cultura, Comunicação e Trabalho” também não foi uma escolha à toa. Para a secretária, diante de uma série de ataques que as mulheres vêm sofrendo ultimamente, a cultura se torna um espaço para que elas possam resistir a isso, “é uma forma também de demonstrar sua luta”.

“A cultura acaba sendo uma válvula de escape disso tudo. Fazer um festival leve, que tem política, mas que tem muita cultura, é uma forma delas também se expressarem. Muitas apresentações denunciaram violência, colocaram sentimentos que as mulheres não falam no seu dia a dia, mas que elas expressam através de sua arte.  Acho que falar de cultura é também falar sobre uma forma de se libertar”, ressalta.

Além das personalidades políticas do RN, já citadas, o evento também contou com a presença da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann; da deputada federal, Benedita da Silva (PT/RJ); da fundadora do blog Socialista Morena, Cynara Menezes; da escritora Mariana Janeiro; da professora e escritora Elika Takimoto; da cantora Marina Lima; e entre outras mulheres de grande representação da política e da arte nacional.

Seminário Nacional de Cultura e Resistência

Simultaneamente ao Festival, e para dar início as atividades, a Secretaria Nacional de Cultura do PT também realizou o “Seminário Nacional de Cultura e Resistência”, com o propósito de debater os rumos que a cultura vem tomando no país e como articular formas de resistências aos diversos ataques que ela vem sofrendo. 

“Eu acho que esse é o momento que conseguimos reunir diversas perspectivas, movimentos, abordagens e origens territoriais para pensar uma ação coletiva a respeito de como reagir em conjunto, tanto no sentido de valorizar o legado que nós produzimos, quanto para pensar quais são as atividades políticas possíveis para evitar os desmontes que estão acontecendo agora e para sustentar o que resta de democracia no país”, explica o secretário Nacional de Cultura do PT, Marcio Tavares.

O secretário ainda destaca que a realização do Seminário, em conjunto com o Festival Elas por Elas, se torna importante por trazer a pauta da cultura para “uma luta de resistência de um território que se coloca contra os rumos estabelecidos”. 

 

Edição: Marcos Barbosa