CONCUT

Em carta lida por Haddad, Lula defende luta social para superar "tragédia Bolsonaro"

Documento foi apresentado durante 13º Congresso Nacional da CUT (Concut), que termina nesta quinta-feira (10)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Concut deste ano tem como tema "Lula Livre - Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia" / Foto: Roberto Parizotti/CUT

Impossibilitado de participar do 13º Congresso Nacional da CUT (Concut), que ocorre na Praia Grande, litoral paulista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu se fazer presente. Durante a abertura, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), leu uma carta em que o líder petista defende uma maior luta social contra Jair Bolsonaro. 

"Foi na luta social e política que derrotamos a ditadura militar e é na luta democrática e transformadora que vamos derrotar o governo Bolsonaro e a tragédia nacional que ele está causando", afirma o documento. 

A declaração foi lida para cerca de 2.100 delegados que participaram da solenidade de abertura do Concut. Na carta, Lula diz se lembrar "daquele inesquecível 2 de agosto de 1983", data em que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi criada, na mesma Praia Grande. 

"Daqui onde estou, sem barganhar em momento algum a minha dignidade, muito mais livre do que meus algozes, que continuam presos às suas mentiras, envio às mulheres e aos homens que fazem da CUT este admirável instrumento de luta do povo brasileiro a minha calorosa saudação". 

Ainda segundo o ex-presidente, "o papel da CUT continua insubstituível na defesa da soberania nacional e no combate à escandalosa submissão do Brasil à política unilateral, imperial e guerreira dos Estados Unidos. Continua insubstituível na luta contra a absurda privatização das nossas maiores e estratégicas empresas públicas e também na luta contra o desmonte criminoso de políticas sociais, indispensáveis para a existência digna de dezenas de milhões de brasileiros"

A abertura do Concut, que neste ano tem como tema "Lula Livre - Sindicatos Fortes, Direitos, Soberania e Democracia", contou ainda com a presença da ex-presidenta Dilma Rousseff, da presidenta do PT, deputada Gleissi Hoffman (PR), e do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. 

Leia carta de Lula na íntegra

Aos delegados e delegadas, dirigentes da nossa central, delegados e delegadas internacionais:

Desde a fundação,

Nestes 36 anos de vida e de lutas, a CUT foi participante ativa e tantas vezes decisiva das grandes conquistas sociais econômicas e culturais do povo brasileiro.

O Brasil não teria dado, durante os governos populares o verdadeiro salto histórico que deu, em termos de crescimento econômico, combate à pobreza e a desigualdade, geração de emprego, distribuição de renda e inclusão social  sem a contribuição independente e mobilizadora da CUT.

Da mesma forma a central sempre esteve na linha de frente na resistência a todo e qualquer tentativa de ferir a democracia e de confiscar direitos do nosso povo.

Basta lembrar dos anos recentes, a sua tenaz oposição ao golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma, bem como sua permanente mobilização em parceria com outros movimentos sindicais e populares contra escalada autoritária, antinacional e antipopular que está em curso no Brasil.

Hoje, mais do que nunca, é necessário intensificar a luta para barrar o projeto destrutivo do governo de extrema-direita, que ameaça provocar um retrocesso histórico sem precedentes.

Foi na luta social e política que derrotamos a ditadura militar e é na luta democrática e transformadora que vamos derrotar o governo Bolsonaro e a tragédia nacional que ele está causando.

O papel da CUT continua insubstituível na defesa da soberania nacional e no combate a escandalosa submissão do Brasil à política unilateral, imperial e guerreira dos Estados Unidos. Continua insubstituível na luta contra a absurda  privatização das nossas maiores e estratégicas empresas públicas e também na luta contra o desmonte criminoso de políticas sociais, indispensáveis para existência digna de dezenas de milhões brasileiros.

Sem falar na luta contra a exploração predatória da Amazônia e a destruição de proteção ambiental, que demoramos tanto tempo para construir.

E na luta contra o desemprego, a miséria e a fome, que voltaram a assolar o país. E é claro que a CUT deve contribuir e continuar liderando a luta contra as tentativas do governo de Bolsonaro de fragilizar e destruir as organizações sindicais e a legislação trabalhista.

Por tudo isso, este 13º Congresso é muito importante não só para CUT e a classe trabalhadora, mas para o Brasil como um todo.

Tenho certeza de que vocês tomarão as decisões necessárias para atualizar e fortalecer a organização da central e para traçar um plano de lutas à altura dos graves desafios nacionais.

Tenho certeza de que a CUT continuará também prestando a sua solidariedade ativa a luta dos trabalhadores da América do Sul, da América Latina e do mundo inteiro ajudando a consolidar o sindicalismo internacional democrático e combativo capaz de enfrentar com êxito a ofensiva do capital para desregulamentar e precarizar o mundo do trabalho.

Companheiros e companheiras, gostaria muito de estar aí hoje junto com vocês como eu sempre estive. Mas vocês sabem que política e moralmente estou aí sim, abraçado a cada companheira e cada companheiro.

Daqui onde estou, sem barganhar em momento algum a minha dignidade, muito mais livre do que meus algozes, que continuam presos às suas mentiras, envio as mulheres e aos homens que fazem da CUT este admirável instrumento de luta do povo brasileiro a minha calorosa saudação.

Luiz Inácio Lula da Silva

Edição: João Paulo Soares