guerra da ucrânia

Em Londres, Zelenski propõe 'coalizão de caças' ao Ocidente

Premiê britânico prometeu tratar do envio de aviões de combate em reunião do G7, mas descarta o envio de caças agora

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O primeiro ministro britânico, Rishi Sunak (dir.) recebeu o presidente ucraniano e prometeu ajuda para treinamento de pilotos - Carl Court / POOL / AFP

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, se reuniu nesta segunda-feira (15/05) em Londres com o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, e recebeu a promessa do envio de mísseis e drones de longo alcance para reforçar a defesa ucraniana contra os invasores russos.

O ucraniano se disse confiante de que poderá assegurar rapidamente um acordo para o envio de aviões de combate dos parceiros ocidentais para seu país. Ele disse que conversou com Sunak sobre a questão, e que se sentia bastante otimista quanto à criação de uma "coalizão de jatos de combate" para a guerra contra a Rússia, e que uma decisão deverá ser tomada em um curto espaço de tempo.

Os países da Otan hesitam em se comprometer com a entrega de caças modernos à Ucrânia. Um porta-voz do governo britânico afirmou que o Reino Unido não tem planos para enviar aviões de combate à Ucrânia.

Sunak, por outro lado, disse que seu país vai ajudar a Ucrânia a treinar pilotos de combate, como parte de seu pacote de ajuda a Kiev. "Estamos prontos para implementar esses planos em um tempo relativamente curto", assegurou. 

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Ele destacou que as conversas com Zelenski ocorreram dentro dos preparativos da reunião do Conselho de Líderes da Europa na Islândia – na qual Zelenski fará um pronunciamento em vídeo – e da cúpula dos países do G7 no Japão.

"Momento crucial para resistência ucraniana"

Sunak assegurou que vai tratar da questão do apoio aéreo com os demais líderes nas duas reuniões. O britânico exaltou seu colega ucraniano, afirmando que "sua liderança e a bravura e fortaleza de seu país são uma inspiração para todos nós".

O gabinete do primeiro-ministro confirmou que o Reino Unido enviará nos próximos meses centenas de sistemas de mísseis e drones de longo alcance capazes de atingir alvos em distâncias de mais de 200 quilômetros.

Londres se tornou um dos principais aliados militares de Kiev, com o fornecimento de um grande número de mísseis e tanques e o treinamento de 15 mil soldados ucranianos em solo britânico. Na semana passada, os britânicos enviaram à Ucrânia mísseis de cruzeiro Storm Shadow, com alcance de mais de 250 quilômetros, o tipo de armamento que Kiev pedia há tempos aos aliados.

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"Este é um momento crucial para a resistência ucraniana a uma terrível guerra de agressão que eles não escolheram ou provocaram", disse Sunak. "Eles precisam de apoio contínuo da comunidade internacional para se defenderem da barragem de ataques incessantes e indiscriminados que se tornaram a realidade diária da guerra há mais de um ano. Não podemos decepcioná-los."

"Não muda o curso da guerra", diz Kremlin

O Kremlin avalia como "extremamente negativa" a promessa britânica de enviar mais armamentos a Kiev, mas, ao mesmo tempo, assegura que isso não mudar drasticamente o curso da guerra. "O Reino Unido aspira ser a vanguarda entre os países que abastecem a Ucrânia de armas", disse o porta-voz do governo russo Dmitry Peskov.

"Repetimos que isso não terá influência drástica ou fundamental na forma como a operação militar especial se desdobra", afirmou, empregando a expressão utilizada pela Rússia para se referir à sua invasão ao país vizinho. "Isso, porém, levará a mais destruição, mais ações. Deixa toda essa história muito mais complicada para a Ucrânia." 

A viagem de Zelenski a Londres ocorreu em meio a um giro do líder ucraniano por algumas das principais capitais europeias. A iniciativa ajudou seu país a obter novas promessas de ajuda da Alemanha, Itália e França, antes de uma aguardada contraofensiva ucraniana contra as tropas russas, no intuito de recuperar território tomado pelas forças russas.

Em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que seu país enviará à Ucrânia nas próximas semanas dezenas de tanques leves, blindados e sistemas de defesa antiaérea. Cerca de 2 mil soldados ucranianos receberão treinamento na França neste ano, e outros 4 mil na Polônia, como parte de um esforço europeu mais amplo. 

No domingo, Zelenski se reuniu com o chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, após o governo alemão prometer enviar 2,7 bilhões de euros (R$ 15,5 bilhões) em ajuda militar, incluindo tanques, sistemas antiaéreos e munição.

No sábado, o líder ucraniano se reuniu com o papa Francisco e com a premiê italiana, Georgia Meloni, em Roma.