Conflito agrário

Ruralista vai a julgamento por morte de sem-terra no Paraná

Mais de 18 anos após assassinato de Sebastião Camargo, Marcos Prochet vai a júri popular no próximo dia 25

São Paulo (SP)

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O ruralista já foi julgado em 2013 e condenado a 15 anos e 9 meses de reclusão por ter sido considerado autor do disparo que vitimou Sebastião Camargo / Reprodução

O ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR) Marcos Prochet vai a júri popular no próximo dia 25 pelo assassinato do trabalhador rural Sebastião Camargo, morto há mais de 18 anos.

O ruralista volta aos tribunais sob a acusação de coordenar a ação de milícias privadas e executar o sem-terra com um tiro na cabeça durante o despejo ilegal de famílias acampadas na fazenda Boa Sorte, na cidade de Marilena, Noroeste do Paraná, em 7 de fevereiro de 1998.

Prochet já foi julgado em 2013 e condenado a 15 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado, por ter sido considerado autor do disparo que vitimou Camargo, mas teve a decisão anulada pelo Tribunal de Justiça do Paraná. 

Outras duas pessoas também já foram condenadas pela participação no crime: Teissin Tina, ex-proprietário da fazenda Boa Sorte, a seis anos de prisão por homicídio simples; e Osnir Sanches, a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais.

Relembre o caso

Mais de 40 homens armados chegaram à fazenda Boa Sorte determinados a despejar ilegalmente as 70 famílias sem-terra que ocupavam o terreno, declarado como improdutivo pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) antes mesmo de as famílias ocuparem o local.

Neste dia, o agricultor Sebastião Camargo Filho, 65, pai de cinco filhos, foi morto com um tiro na cabeça. O sem-terra é uma das vítimas da ação de milícias armadas no campo, e há suspeita de participação direta da UDR.

Apesar de os acusados de participação no crime já terem sido julgados e condenados (com exceção de Tarcísio Barbosa, ex-tesoureiro da UDR, denunciado pelo Ministério Público apenas em 2013), a família não recebeu nenhum tipo de reparação até o momento. 

O caso foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2000 pela Terra de Direitos, pela Justiça Global, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pela Rede Nacional de Advogados Populares (RENAP), em reação à demora injustificada no andamento do processo.

Em 2009, a CIDH responsabilizou o Estado Brasileiro pelo crime.

*Com informações da Terra de Direitos