Bahia

Marcha internacional Contra o Genocídio do Povo Negro é realizada em Salvador

São estimados cinco mil manifestantes no ato convocado pela campanha "Reaja ou será morto(a)"

São Paulo (SP)

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Ato na tarde desta segunda-feira (29) foi iniciado no Largo dos Aflitos / Reprodução

Negras e negros saíram às ruas nesta segunda-feira (29) em protesto à violência na 2ª Marcha Internacional contra o Genocídio do Povo Negro convocada pelo “Reaja ou será morto (a)”. Com concentração no Largo dos Aflitos, em Salvador, a manifestação segue pela tarde e são estimados cerca de cinco mil manifestantes.

Além de denunciar o genocídio, a marcha pretende pautar a seletividade do sistema prisional. De acordo com dados de 2013 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, das 537.790 pessoas que estão no sistema penitenciário, 93,92% são homens, 50,88% têm entre 18 e 29 anos e 57,21% têm pele de cor preta ou parda. Cruzando os dados, os números apontam que a maior parte dos presos no Brasil é formada por homens e negros.

No Brasil de casos como o de Amarildo, DG e Cláudia, os assassinatos de negros envolvendo policiais se multiplicam. Segundo o Mapa da Violência 2014, cerca de 30 mil jovens de 15 a 29 anos são assassinados por ano no Brasil, e 77% deles são negros.

Há 10 anos, a campanha "Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto" deflagrou um processo de mobilização para politizar as mortes de negros na Bahia, momento em que cinco jovens, incluindo a sobrinha de um militante do Movimento Negro Unificado (MNU), foram assassinados.

Na mesma semana da chacina na Bahia, policiais militares executaram 29 negros na Baixada Fluminense. Assim, em 12 de maio de 2005, começava uma campanha para denunciar essas mortes e dar visibilidade ao que acontecia com negras e negros no país.

Em 2013, foi realizada a primeira marcha nacional. Apenas em Salvador, mais de 5 mil pessoas compareceram ao ato, conforme a organização. Militantes de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre também participaram da mobilização, que agora conta com o apoio de movimentos de outros países.

Edição: Camila Rodrigues da Silva