Racismo

Presidenta da Unegro é presa em Salvador (BA) ao denunciar violência policial

Ângela Guimarães e Kadine Barbara, militante da UJS, foram detidas ao registrarem ações truculentas da guarda municipal

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

,
Ângela Guimarães foi detida pela Guarda Municipal de Salvador / Reprodução

A presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Ângela Guimarães, e a também militante do movimento negro, Kadine Bárbara, foram detidas pela guarda municipal de Salvador na madrugada deste domingo (9). A detenção ocorreu enquanto as duas registravam ações truculentas de guardas contra camelôs que trabalham na região do Rio Vermelho e na sede da União da Juventude Socialista (UJS), onde ocorria uma festa.

Ao fotografar a ação, uma das militantes foi abordada por um agente que pediu seu documento de identidade. A jovem, então, afirmou que ele não tinha poder para agir de modo truculento e cobrou também a identificação obrigatória do guarda em seu uniforme. Por esse motivo, as duas foram acusadas de desacato, detidas e levadas para uma delegacia onde prestaram depoimentos e foram liberadas.

Ângela Guimarães denunciou a ação em seu página do Facebook: “Duvidem que estamos em um estado de exceção! Acabei de ser detida por tirar fotos da ação arbitrária do aparelho militar do estado, neste caso a Guarda Municipal de Salvador, diante de uma festa ocorrida na sede da UJS, no Rio Vermelho. Eu e Kadine Bárbara presas por sermos jovens mulheres negras registrando a ação arbitrária da GM. Até quando? Por que? E você com isso? Onde nossa sociedade vai parar com a reincidência de tantas arbitrariedades? Rebele-se!!!”.

A secretária de Políticas Para as Mulheres da Bahia, Olívia Santana, também se manifestou contra a ação dos guardas municipais, qualificada por ela como “arbitrária, absurda e inaceitável”. Santana relatou toda a ação e informou que estava tomando medidas para liberar as duas jovens. Para ela, foi um “verdadeiro abuso de autoridade” e que é preciso “repudiar esse fato humilhante e absurdo”.

As direções do PCdoB da Bahia e de Salvador também se manifestaram através de nota denunciando “uma escalada de ataques às liberdades e aos direitos sociais em plano nacional”.

A nota afirma que “neste ambiente de caça às bruxas, a Prefeitura de Salvador se sente à vontade para impor os tradicionais métodos já usados no passado de promover a violência contra jovens, negros, ambulantes e militantes de esquerda”.

O PCdoB anuncia ainda que “vai tomar todas as medidas jurídicas e políticas sobre esse atentado à democracia”.

Leia a íntegra da nota abaixo:

Perseguição Política da Guarda Municipal

Duas militantes do PCdoB presas na madrugada de domingo

Durante a ditadura militar os jovens que se rebelaram eram alvo predileto da repressão. Centenas deles foram mortos e torturados. Na Bahia, os Magalhães, das famílias que mais se enriqueceram no país prestando favores aos generais, eram implacáveis na perseguição aos adversários.

Com o golpe de estado contra a presidenta se verifica uma escalada de ataques às liberdades e aos direitos sociais em plano nacional. Sedes do PT, do PCdoB, UNE e CUT foram atacadas em várias capitais do país. Dirigentes de partidos esquerda são alvo seletivo da Polícia Federal e do judiciário.

Neste ambiente de caça às bruxas a Prefeitura de Salvador se sente à vontade para impor os tradicionais métodos já usados no passado de promover a violência contra jovens, negros, ambulantes e militantes de esquerda.

Na madrugada deste domingo (09/10) prepostos da Guarda Municipal que reprimiam ambulantes no Rio Vermelho foram fotografados por uma militante da UJS. Inconformados, os policiais tentaram invadir a sede da entidade, onde havia uma confraternização de aniversário. Lá tentaram tomar à base da intimidação a carteira de identidade da menina que fizera a foto.

A presidenta nacional da União dos Negros pela Igualdade e integrante do Comitê Central do PCdoB e a servidora pública Kadine Barbara, na União Brasileira de Mulheres (UBM), presentes no local, questionaram a ação policial alegando que qualquer cidadão tem o direito de registrar atos de truculência perpetrados por agentes públicos. A reação dos policiais foi de prender as duas militantes as conduzindo para a delegacia do Iguatemi, onde foram liberadas a partir da intervenção da advogada comunista Aline Moreira.

Cabe lembrar que é a segunda vez que a Guarda Municipal invade a sede da UJS em menos de 30 dias e que no último debate da campanha eleitoral, capangas e policiais contratados por ACM Neto espancaram dezenas de jovens e mulheres.

Tudo indica que a Guarda Municipal está sendo aparelhada e preparada ideologicamente para reprimir e agredir os movimentos sociais - e se transformando em Guarda pessoal do prefeito especializada na perseguição e repressão políticas, uma antiga tradição do cartismo.

Vale ressaltar ainda o aspecto racista presente no episódio na medida em que ambas as companheiras são negras. Nunca é demais lembrar que a polícia sempre tem o negro ou negra como potencial suspeito.

O PCdoB vai tomar todas as medidas jurídicas e políticas sobre esse atentado à democracia. Se o prefeito acha que pelo fato de ter sido reeleito pode usar o poder público para intimidar e destruir os adversários, não conseguirá.

Seguiremos firmes na luta pela democracia e contra a repressão política.

Comitê Municipal e Estadual do PCdoB

* Com informações do Portal Vermelho