Oriente Médio

Soldados israelenses são encorajados a "atirar para matar" palestinos, diz ONG

A Human Rights Watch coletou declarações de políticos e oficiais israelenses desde a nova onda de ataques, em 2015

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Soldados israelenses em 2015 / Wiki Commons

Soldados israelenses recebem incentivo de integrantes do alto escalão das forças de segurança e de políticos do governo de Israel para "atirar para matar" palestinos. A denúncia é da organização não governamental (ONG) internacional Human Rights Watch (HRW) e foi documentada em um relatório publicado nesta segunda-feira (2).

A ONG coletou declarações de ministros e políticos incitando as forças de segurança de Israel a atirarem para matar ilegalmente e, de acordo com o documento publicado, os oficiais encorajam soldados e policiais a matarem palestinos suspeitos de terem atacado israelenses, ainda que não representem ameaça para a segurança. Além disso, segundo a HRW, integrantes do alto escalão de segurança e do governo evitam condenar o uso excessivo da força.

A organização vem documentando as orientações desde a nova onda de ataques entre palestinos e israelenses, em outubro de 2015. Desde então, forças israelenses atiraram e mataram mais de 150 adolescentes e adultos palestinos suspeitos de atos de violência em Israel e na Cisjordânia. Os palestinos, por sua vez, mataram 33 israelenses.

Declarações

O atual ministro de Defesa da Israel, Avigdor Lieberman, era deputado quando os ataques iniciaram e afirmou na época que o estado deveria ter uma polícia em que "nenhum agressor, homem ou mulher, deveria sair vivo de um ataque".

Já Gilad Erdan, ministro de Segurança Pública, concordou que, "se um terrorista tem uma faca ou uma chave de fenda na mão, [o soldado] deve disparar para matar sem pensar duas vezes". Ele declarou ainda que "qualquer agressor que queira causar danos, deve saber que é provável que não sobreviva ao ataque".

Em contrapartida, o chefe do Estado-Maior, Gadi Eizenkot, defendeu que soldados ataquem apenas se existir uma ameaça para ele ou seus companheiros. "Não quero um soldado que esvazie seu carregador contra uma menina com tesouras", disse. Setores sionistas e da direita israelense criticaram duramente o posicionamento de Eizenkot.

O relatório pondera ainda que a legislação internacional de direitos humanos limita o uso da força letal a circunstâncias em que seja estritamente necessária "para proteger a vida e nas quais nenhuma outra opção é viável".

A HRW também recordou que a lei israelense só permite atirar em regiões vitais do corpo humano, como a cabeça, em casos de risco de morte ou ferimentos graves. Para a entidade, a conduta aparente de alguns soldados e policiais é um desvio dos padrões internacionais e das normas israelenses.

Edição: Camila Rodrigues da Silva