Artesanato

Mulheres ribeirinhas artesãs geram renda com a floresta preservada

O artesanato proporciona empoderamento e autonomia às mulheres na Amazônia paraense

Brasil de Fato | Belém (PA)

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O artesanato possibilitou às artesãs continuarem vivendo em suas comunidades / Luca Vittorio

As mãos trançam fios de palha de Tucumã, palmeira típica do Pará, e dela surgem variadas peças de artesanato. A confecção é feita por mulheres de cinco comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, sudoeste paraense. Do conhecimento tradicional, surgem peças de variados tamanhos e cores. Tudo o que precisam para a confecção, é só buscar na floresta.

Segundo Maria Odila Duarte Godinho, presidenta da Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta (Turiarte), o artesanato transformou a geração de renda das famílias e promoveu empoderamento para as mulheres ribeirinhas. "A complementação do artesanato na vida das artesãs fez e faz a diferença para as famílias. Elas [mulheres] se sentem mais empoderadas. Cada vez mais elas vão se valorizando", ressalta.

São cestas, mandalas, bolsas e vários outros produtos decorativos produzidos pelos coletivos de mulheres, tudo a partir de fibras vegetais.

Mapa produzido pela Turiarte

Rosângela Castro Tapajós coordena a atividade do artesanato na Turiarte e conta que as peças são produzidas por 52 mulheres e cinco homens que vivem nas comunidades de Urucureá, Arimum, Vila Gorete, Vila Brasil e São Miguel. Ela fala com satisfação que o material necessário para desenvolver o trabalho é todo encontrado no local onde moram: "Lá na comunidade tem matéria-prima. A gente tira tudo o que a gente precisa, sem ter que vir aqui em Santarém e comprar. É um trabalho que você gera renda e ajuda na renda da família". 

Retirada de uma folha da palmeira de Tucumã / Crédito: Luca Vittorio

Floresta em pé

Antes de fazer o trançado das fibras, é necessário colher os materiais e, para isso, segundo Rosângela Tapajós, é retirada uma nova folha do Tucumã, palmeira típica da região. Removidos os espinhos, a folha é colocada para secar ao sol.

Para dar cor e vida às peças, as fibras de palha passam por um processo de pigmentação natural. A coordenadora ainda explica que para obter a cor vermelha as mulheres utilizam o cipó de uma árvore chamada Crajiru, muito usada para fazer chá e combater a anemia. Já o pigmento amarelo é extraído da raiz da Mangarataia Amarela, também conhecido como Cúrcuma ou Açafrão.

Depois de colhidas, as folhas ou raízes são raladas, piladas e postas em água quente para fervura, e lá adicionadas às fibras de palha. No entanto, antes de chegar a esta etapa, todo esse conhecimento ancestral quase se perdeu.

Segundo Tapajós, a atividade foi resgatada através da ONG Projeto Saúde e Alegria. Através do fortalecimento do trabalho das artesãs, desenvolvido pela organização, as comunidades conseguiram resgatar sua identidade cultural e se organizar através da Cooperativa Turiarte.

Tapajós finaliza contanto que, com maior autonomia das trabalhadoras, as peças já foram expostas em feiras nacionais e "este ano as encomendas não pararam". As peças são confeccionadas a partir de pedidos direcionados e muitas são enviadas para cidades como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Manaus (AM) e Belo Horizonte (MG). No ano passado, as artesãs das comunidades ribeirinhas também exportaram para a Alemanha.

 

Edição: Vivian Fernandes (site BdF) | Mauro Ramos (Radioagência BdF)