Hugo Chávez

Integração, feminismo e socialismo do século 21: brasileiros lembram legado de Chávez

Nesta sexta, foi realizado ato para celebrar o aniversário de nascimento do ex-presidente venezuelano

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Presidente morreu em 2013, vítima de um câncer / Frente Nacional Trabalhista/ Facebook

A integração latino-americana, o protagonismo das mulheres na política e a retomada da defesa do socialismo, em pleno século 21, são legados importantes deixados pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. É o que apontaram lideranças brasileiras presentes no evento realizado na Embaixada da Venezuelana, em Brasília, nesta sexta-feira (28), em comemoração ao 63º aniversário do líder. 

“Chávez sempre dizia ‘eu sou um feminista e o feminismo é necessário para a construção do novo’”, lembrou a militante Ana Moraes, do coletivo de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). “Apesar de ser homem e militar, ele deu uma grande contribuição no sentido de valorizar a participação das mulheres na construção da revolução bolivariana”, ressalta.

Para Ana, que conheceu o ex-presidente pessoalmente, “a grande importância que Chávez teve na luta para a construção do feminismo parte do reconhecimento da expressão e da posição das mulheres nos espaços”. Como exemplo disso, ela aponta o fato de ele ter nomeado diversas mulheres para posições de liderança e mando político.

Ato na embaixada, em Brasília, reuniu dezenas de pessoas | Foto: Cristiane Sampaio

As ações do líder em favor da integração regional foram outro ponto lembrado durante o evento. O jornalista Beto Almeida, que atuou na fundação da TeleSUR, rede de televisão multiestatal criada durante o governo Chávez, lembra que a emissora tem uma missão nesse sentido:

“[Chávez] tinha uma visão preciosa do processo cultural porque ele dizia que nós precisamos conhecer, amar e respeitar a história, os líderes, os heróis, mas que precisamos também conhecer e respeitar a comida, o jeito de plantar, o jeito de dançar. Por isso, ele dizia que a Telesur era uma televisão para enamorar os povos, e o ‘enamoramento’ é no sentido de fazer uma integração e uma solidariedade política para um destino igual”, ressalta Almeida.

A equipe do Brasil de Fato em Caracas conversou com diversos venezuelanos a respeito do legado do ex-mandatário. Confira:

Vítima de um câncer, Chávez morreu em 5 de março de 2013. O secretário de Política e Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, destaca, no entanto, que seu pensamento segue vivo na América Latina:

“No último Foro de São Paulo, que é uma articulação de partidos e forças progressistas, foi marcante a influência das ideias de Hugo Chávez, e a luta pela Venezuela, por esta batalha da Constituinte, foi considerada a mãe das batalhas dos tempos atuais. O pensamento dele se consubstancia na luta pelo socialismo nas condições contemporâneas e com as peculiaridades desta época e de nossa região”, disse Reinaldo.

Com relação à Assembleia Constituinte, convocada pelo presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, e que será realizada neste domingo (30), o ministro conselheiro da Embaixada, Gerardo Antonio Delgado Maldonado, afirmou que “ela representa um grande chamado democrático para o reordenamento da república”. E acrescentou que a agenda defendida pela oposição se pauta na violência e pretende “impor a ingovernabilidade do país”.   

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Edição: Vanessa Martina Silva