Descaso

Entidades denunciam sucateamento da saúde pública em Mato Grosso

Fortalecimento do Sistema Único de Sáude (SUS) é apontado como alternativa à crise

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Manifestantes ocuparam Assembleia Legislativa em protesto contra má gestão / SISMA-MT

Obras atrasadas, falta de medicamentos e retenção de verbas ameaçam a saúde pública em Mato Grosso (MT). Para denunciar esta situação, movimentos e sindicatos integrantes do Fórum Permanente de Saúde realizaram ato em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) nesta terça (27) na assembleia legislativa estadual.

Para o mesmo dia, estava marcada uma audiência pública para que a Secretaria de Saúde apresentasse um balanço das ações de 2017. A secretaria, no entanto, não mandou um representante e a Frente Permanente da Saúde do Mato Grosso decidiu fazer uma ocupação simbólica do plenário para denunciar o sucateamento do SUS.

O sucateamento da saúde em MT é consequência da falta de planejamento e má gestão dos recursos públicos. É o que avalia o médico Reinaldo Gaspar Mota, mestre em saúde coletiva e membro do Conselho Estadual de Saúde.

“Faltam leitos, nós temos várias obras paradas. Temos um hospital universitário, o Júlio Muller, para 250 leitos aqui na capital [parado]. Temos R$ 85 milhões já repassados pela União e o estado simplesmente não executa o projeto”, denuncia. 

O atraso no repasse de verbas prejudica o atendimento à população. Em Cárceres, município localizado a 214 km da capital Cuiabá, hospitais suspenderam a realização de exames laboratoriais.

“Sem isso, a gente não consegue ter diagnóstico, não consegue ter procedimentos, não consegue levar saúde à população”, alerta Mota.

A implantação do programa Mais Médicos, do governo federal, apesar de amenizar a situação, não resolveu o problema da falta de pessoal. Segundo levantamento do Fórum Permanente, o governo de Mato Grosso não abre há 15 anos concurso público para contratação de profissionais da área de saúde.

Veneno

O uso abusivo de agrotóxicos na produção agrícola é outro fator que contribui para a fragilização da saúde pública, na opinião de João Dourado, membro do Conselho Estadual de Saúde e presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

“O índice de [casos de] câncer aumentou substancialmente no estado em decorrência do agrotóxico. Tudo isso gira em torno de um modelo de agronegócio que pouco beneficia o estado em termos de políticas sociais e ainda contamina os trabalhadores”, critica.

O Fórum Permanente de Saúde alerta ainda para estudo realizado pelo pesquisador Vagner Sores, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo constatação da pesquisa, publicada em 2012, cada dólar gasto em agrotóxico pode gerar aos cofres públicos um investimento adicional de US$ 1,28 no tratamento da população contaminada.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES) para que esta pudesse comentar as críticas feitas à gestão estadual. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. 

Edição: Thalles Gomes