Reforma Agrária

Famílias têm 80 hectares de lavoura destruída em violenta reintegração de posse na PB

A ação executada pela Polícia Militar passou o trator nas plantações de 120 famílias de camponeses usando de violência.

João Pessoa (PB)

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Após repressão com gás de pimenta, bala de borracha, bomba de gás e ameças, a destruição das louvares teve início. / João Muniz

Como de costume, a Policia Militar agiu com truculência e extrema violência em um processo de reintegração de posse nesta terça-feira. Fazendo uso de balas de borracha, gás de pimenta e cães, atingiu diversos trabalhadores rurais da área Pau a Pique, no município de São José dos Ramos, localizado a 59 quilômetros da capital João Pessoa. Sequer a presença de crianças foi capaz de sensibilizar a força policial. Na área vivia posseiros, famílias que ali já viviam a pelo menos três gerações.

De um lado a repressão policial e do outra mulheres, homens e crianças viam o fruto do seu trabalho e sustento ser destruído.



“Foi reintegração de posse. O pessoal mora e trabalha aqui há bastante tempo, mas o proprietário, o desembargador Paulo Maia Vasconcelos Filho, ex-desembargador do trabalho do estado, ganhou na justiça ‘pra’ destruir a lavoura do pessoal e tá aqui pra destruir cerca de 120 hectares de terra plantada, e a gente está sem saber como é que vai terminar toda essa situação aqui. Mas já destruíram em torno de vinte hectares de terra e ainda tem mais um outro tanto pra destruir. Mas vamos aguardar, para ver o que vai acontecer”, explicou João Muniz, membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT). 

Várias pessoas foram atingidas por bala de borracha.



Os policiais destruíram todo o plantio dos trabalhadores, o que incluía jerimum, fava, amendoim além de outras produções. Segundo João Muniz, as famílias moram e trabalham na localidade há mais de 100 anos. “O pessoa mora há mais de cem anos, são mais de 120 famílias e nós estamos acompanhando aqui há uns três anos. Viviam acuados, sem ter direito a trabalhar. Moravam na propriedade, mas trabalhavam de acordo com o interesse do proprietário. Aí o pessoal se rebelou e começou a ocupar mais espaço. Mas isso está sendo de uma certa forma uma reação do proprietário”.



A reintegração de posse foi executada pela Polícia Militar.



A área está em conflito há mais de dez anos, período em que Paulo Maia se tornou proprietário. Segundo as famílias o atual proprietário foi subtraindo as terras dos pequenos agricultores, reduzindo à um pequeno terreno ao redor de suas casas. “Há três anos as famílias resolveram resistir a essa situação, passando a plantar nas áreas que sempre utilizaram para tirar seus sustentos”, explicou o agente pastoral. Eram cerca de 120 hectares de terra plantados, depois da ação de hoje só restaram 50 hectares

A Comissão Pastoral da Terra informou que a assessoria jurídica da organização está impetrando ação que reverta a situação de violência que vivem as famílias e que garanta que os cerca de 50 hectares de lavoura ainda não destruídos sejam preservados. Informou também que amanhã terão audiência junto ao Governo do Estado para denunciar a truculência da Polícia Militar. 

 

Edição: Paula Adissi