Eleições 2018

Com alto índice de jovens desempregados, DF tem 11 candidatos ao governo

Segmentos populares ouvidos pelo BdF defendem priorização de políticas de educação e juventude

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Palácio do Buriti, localizado em Brasília, é a sede do Governo do Distrito Federal (GDF) / Nilson Carvalho/Agência Brasília

Seguindo a tendência do cenário nacional, as eleições de 2018 estão entre as mais disputadas da história na corrida rumo ao Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal (GDF), e o desemprego entre jovens é um dos principais desafios do próximo governador ou governadora.

São, ao todo, 11 candidaturas, que têm os seguintes cabeças de chapa: Júlio Miragaya (PT), Fátima Sousa (PSOL), Renan Rosa (PCO), Guillem (PSTU), Eliana Pedrosa (Pros), Alexandre Guerra (Novo), Alberto Fraga (DEM), Ibaneis Rocha (MDB), Rogério Rosso (PSD), General Paulo Chagas (PRP) e o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), que se candidata à reeleição.  

Perfis e propostas

Posicionado à esquerda, o economista Miragaya é ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon). Também já atuou como coordenador de projetos no Ministério da Integração Nacional e presidiu a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).

Em seu plano de metas, propõe como destaques a implementação de políticas que reduzam a desigualdade de renda entre ricos e pobres. Uma delas seria a criação do salario mínimo regional, com valor 30% acima do nacional.  

Também dentro desse espectro, a enfermeira e professora Fátima Sousa foca em políticas públicas de saúde, segurança, educação, defendendo ainda pautas específicas, como a promoção do parto humano, da agricultura familiar e das políticas de habitação. 

O sindicalista Renan Rosa (PCO), que já participou da disputa anteriormente, em 1998, é um dos fundadores do partido e atual diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília. Defende, entre outras coisas, a estatização da saúde e dos transportes; e a proibição de canalização de recursos públicos ou de isenção fiscal para o ensino privado.

O professor Antônio Guillen (PSTU) propõe a estatização das cinco maiores empresas de ônibus do DF, a concessão de Passe Livre para desempregados e o fim da terceirização nas creches distritais e na saúde pública.

A empresária Eliana Pedrosa (Pros), de perfil mais conservador e liberal, tem como um dos destaques a polêmica proposta de construção de dois novos estádios de futebol. Além disso, propõe maior celeridade no processo de regularização fundiária no meio rural.

Dentro da mesma linha se insere o candidato do Partido Novo, o empresário Alexandre Guerra. Herdeiro de uma rede nacional de fast-food, ele defende medidas como a diminuição do número de secretarias do GDF, o corte de 50% no número de cargos comissionados e a concessão do metrô.

O candidato do DEM, Alberto Fraga, traz ao debate público pautas que também miram a redução do Estado, propondo, entre outras coisas, o enxugamento de cargos no GDF. Além disso, defende a diminuição de impostos para a classe empresarial.

O advogado e empresário Ibaneis Rocha (PMDB) é ex-presidente da OAB-DF e tem o maior patrimônio declarado junto ao TSE entre todos os candidatos, com um montante de R$ 93,7 milhões. Como plano de metas, traz redução de impostos como IPTU e IPVA, aumento de salário para servidores e expansão do metrô.

O deputado federal Rogério Rosso (PSD), de caráter liberal, tem tradição de votações em defesa de uma agenda fiscalista marcada pela austeridade. Para o GDF, propõe metas como a paridade da Polícia Civil com a Polícia Federal e a construção de quatro bairros residenciais para servidores públicos e militares do GDF que não têm imóveis próprios.

Já o General Paulo Chagas, do PRP, é uma representação da extrema-direita no DF. O candidato defende medidas como a implantação regional do projeto Escola sem Partido e se coloca como opositor das cotas raciais e sociais. Além disso, defende a criação da “Lava Jato no DF”.

Já o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), busca a reeleição com base num discurso orientado para medidas como a expansão e a modernização do metrô; e a paridade entre homens e mulheres nos cargos de direção do governo.

Na economia, propõe a desburocratização da gestão no sentido de facilitar investimentos e defende o modelo de parcerias público-privadas (PPPs). Entre outras coisas, o candidato propõe a universalização da educação para crianças de 3 anos – um dos gargalos da sua atual gestão.

Projeções

Segundo pesquisa Ibope divulgada nessa quinta-feira (13), os candidatos ao Palácio do Buriti acumulam atualmente os seguintes índices de intenção de voto: Eliane Pedrosa (Pros), 23%; Alberto Fraga (DEM), 13%; Rollemberg (PSB), 12%; Rosso (PSD), 10%; Ibaneis (MDB), 7%; Miragaya (PT), 4%; General Paulo Chagas (PRP), 3%; Alexandre Guerra (Novo), 2%; Fátima Sousa (Psol), 2%; Renan Rosa (PCO), 1%; Guillen (PSTU), 0%.

Os votos brancos e nulos somam 15%, enquanto 8% dos eleitores ainda se dizem indecisos.

Campo popular

Para organizações do campo popular, o próximo governador do DF precisará colocar na lista de prioridades da gestão os investimentos em educação. Ao todo, a rede distrital atende 480 mil estudantes.

O Sindicato dos Professores no DF (Sinpro-DF), que reúne 35 mil trabalhadores da  área, destaca a necessidade de cumprimento das metas traçadas no Plano Distrital de Educação (PDE). Sancionado em 2015, ele traz um total de 21 pontos prioritários, mas a entidade aponta que o GDF ainda não cumpre as metas em sua totalidade.

É o caso da garantia de acesso universal à escola para crianças de até 3 anos. O GDF se encontra abaixo de 20% da meta.

“O atendimento na educação publica tem que ser prioridade porque, sem isso, nos não temos um cidadão preparado pro mercado de trabalho”, ressalta Cláudio Antunes, da direção do Sinpro-DF.  

O acesso ao mercado também está entre as preocupações do público jovem. É o que afirma a militante Katy Ellen, do Levante Popular da Juventude.  

Segundo a última Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED-DF), existem atualmente 308 mil pessoas desempregadas. Na população que tem entre 16 e 24 anos, o percentual é de 45,4%.

Diante desse panorama e de olho nas políticas de juventude, o Levante tem apresentado aos candidatos ao GDF um plano de emergência destinado ao segmento. Entre os destaques do documento está um maior investimento nas áreas de educação e cultura.

“Ele proporciona uma melhoria de vida pra juventude porque, muitas vezes, ela acaba ficando dentro da cidade, sem muita alternativa, e acaba indo pro crime. Isso é muito por falta de políticas de governo”, afirma a militante.

Edição: Juca Guimarães