Eleições

Bolsonaro, o candidato do sistema

Com apoio da elite econômica, candidato de extrema-direita tem histórico de votação contra a população mais pobre

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Bolsonaro votou a favor da reforma trabalhista, que permitiu a flexibilização de direitos como jornada de trabalho e horário de descanso / Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Líder nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 30% da preferência, o candidato de extrema-direita Jair Messias Bolsonaro (PSL) –  que era desconhecido até dois anos atrás – chegará neste 7 de outubro como um nome certo para disputar a Presidência da República, em pleito que só deve ser decidido mesmo no 2º turno, no dia 28. O adversário, segundo indicam as pesquisas, será Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo.  

 Alçado à fama nacional durante o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff, em 2016, Bolsonaro é capitão reformado do Exército, tem 26 anos de atuação como deputado federal, mas apenas dois projetos de lei aprovados. Sua carreira foi construída com base em discursos agressivos contra pobres, negros, mulheres e população LGBT. São inúmeros os ataques proferidos. Chegou a defender, por exemplo, uma legislação que proibisse famílias de baixa renda de ter filhos e falou que daria “porrada” se visse um casal de homens gays na rua.  

 Apesar de se afirmar como candidato contra a corrupção e antisistema, o presidenciável é hoje o que tem apoio de grandes setores da elite econômica do país, como empresários do ramo de serviços e do mercado financeiro. Também recebeu na última semana apoio de duas das maiores bancadas do Congresso Nacional: a ruralista e a evangélica, as mesmas que atualmente formam a base de sustentação do governo de Michel Temer (MDB) e ajudaram a aprovar a reforma trabalhista e a emenda constitucional que congelou gastos sociais do governo por 20 anos. Boa parte dos integrantes dessas bancadas parlamentares respondem por crimes de corrupção.

Escândalos

O próprio candidato Bolsonaro e sua família já colecionam um histórico de graves escândalos de corrupção e outros crimes. Uma funcionária particular, responsável por cuidar de um de seus imóveis, na região de Angra dos Reis (RJ), recebeu durante vários anos um salário da própria Câmara dos Deputados, como se fosse funcionária de seu gabinete, uma prática considerada ilegal. Após denúncia da imprensa, ele demitiu a funcionária. 

Bolsonaro é réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual é acusado de injúria e apologia ao estupro por ter afirmado, na Câmara, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”. É ainda investigado pelo Ministério Público por apologia à tortura, por ter homenageado o coronel Brilhante Ustra, primeiro torturador reconhecido como tal pelo Judiciário brasileiro, ao votar pelo impeachment de Dilma, em abril de 2016.

 Um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, que é deputado federal por São Paulo, aumentou o próprio patrimônio em 432% nos últimos quatro anos, com a aquisição de imóveis. O valor seria incompatível mesmo com o salário de deputado. Os outros dois filhos do deputado, que também são políticos, também ampliaram o patrimônio nos últimos anos.

Contra os pobres

O histórico de atuação do parlamentar no Congresso Nacional também revela o apoio a projetos que afetam a vida da maioria dos brasileiros. Apoiador das principais medidas do governo Temer, Bolsonaro votou a favor da reforma trabalhista, que permitiu a flexibilização de direitos como jornada de trabalho, horário de descanso e férias. Em declarações à imprensa, tem defendido que é preciso retirar ainda mais direitos e que o trabalhador deve escolher entre “mais direitos e menos emprego” ou “menos direitos e mais emprego”.  O presidenciável também votou contra a PEC das Domésticas, que garantiu direitos trabalhistas a essa categoria.  

O candidato a vice-presidente em sua chapa, o general do Exército Hamilton Mourão, chegou a dizer em duas ocasiões recentes que o 13º salário é uma “jabuticaba brasileira” e um peso para os empresários.

Um documento elaborado por militares que apoiam Bolsonaro sugere, entre outras medidas, o fim de todas as cotas na área de educação, inclusive as chamadas cotas raciais e sociais, e a redução da licença-maternidade de quatro meses para apenas um mês.

Edição: Joana Tavares