Corrida eleitoral

Haddad: segundo turno servirá para escancarar diferenças no plano econômico

Candidato do PT concedeu entrevista coletiva após visita ao ex-presidente Lula, em Curitiba

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Haddad fala à imprensa em Curitiba no primeiro dia da campanha do segundo turno / Foto: Lia Bianchini

Fernando Haddad, candidato à presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que o norte de sua campanha para o segundo turno será a pauta econômica, confrontando o projeto de retirada de direitos representado pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL).

O petista esteve em Curitiba nesta segunda-feira (8), para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Superintendência da Polícia Federal, e concedeu entrevista coletiva após a visita.

“O retorno do neoliberalismo vai agravar a crise e nós vamos seguir um modelo que não deu certo na Argentina. Isso não vai fortalecer o poder de compra do trabalhador, não vai aquecer a economia”.

O modelo argentino a que Haddad se refere é o que vem sendo implementado pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri. Para tentar conter a crise econômica do país vizinho, apenas neste ano, o Banco Central argentino elevou a taxa básica de juros quatro vezes, estando fixada, atualmente, em 60%. A projeção para a inflação argentina é de que chegue aos 30% neste ano. 

Segundo Haddad, o foco petista será em reafirmar o compromisso com a política de bem-estar social, pautando a retomada dos direitos trabalhistas e sociais. Para o candidato do PT, seu projeto pretende “respeitar os direitos consagrados na Constituição de 1988 e aprofundar os avanços sociais” que foram promovidos nos últimos 12 anos. 

Outra divergência importante, salientada por Haddad, diz respeito à segurança pública. O programa petista prevê um modelo de fortalecimento da Polícia Federal como agente coordenador de todas as polícias do país, em sentido oposto ao armamento da população.  

“Nós entendemos que segurança pública é um serviço público e armar a população é desonerar o Estado de proteger o cidadão. No fundo, é uma escapatória para deixar de prestar um serviço essencial previsto na Constituição. O Estado tem que prover a segurança pública, se não está acontecendo, vamos inovar do ponto de vista institucional”, explicou Haddad.

Na visão do candidato, armar a população pode gerar lucros para as empresas que fabricam armas e um índice ainda maior de mortes no país, mas não levará à segurança da população.

Atualmente, o Brasil lidera o ranking mundial de mortes por arma de fogo, com 43 mil mortos, de acordo com a Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo, do Instituto de métricas e avaliação em saúde (Institute for Health Metrics and Evaluation).

Notícias falsas

Outro ponto destacado por Fernando Haddad para a campanha do segundo turno foi o combate às notícias falsas, as chamadas fake news

Ao longo da campanha do primeiro turno, a equipe jurídica do PT denunciou à Justiça Eleitoral 115 postagens de redes sociais que continham fake news contra Haddad e a candidata à vice-presidente de sua chapa, Manuela D’Ávila (PCdoB). 

Apenas no sábado (6), dia anterior às votações do primeiro turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou que 35 dessas postagens fossem removidas da internet. 

“Gostaria que esses temas mais afeitos a valores fossem discutidos publicamente, olho no olho. Não me furto a responder nenhuma pergunta sobre valores, desde que elas sejam feitas olhando no meu rosto. Agora, é muito difícil se defender de um bombardeio via Whatsapp com mentiras a seu respeito”, disse Haddad.

O candidato petista afirmou que vai propor ao seu oponente, Jair Bolsonaro, a assinatura de uma carta compromisso “contra a calúnia e a difamação anônimas que acontecem, sobretudo, via Whatsapp”.

Apoio de outros partidos

Está também entre as preocupações de Haddad “unir as forças democráticas progressistas” do país em torno de seu projeto de governo. 

Ele afirmou que fará contato com lideranças de outros partidos políticos, como Paulo Câmara, recém reeleito governador de Pernambuco pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), e Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, além de Guilherme Boulos (PSOL) e Ciro Gomes (PDT). 

O petista disse estar disposto a conversar sobre adequações ao seu programa de governo, para que ele seja amplo o suficiente para conseguir consenso entre os partidos progressistas que optarem por apoiá-lo.

“Tenho total tranquilidade em ajustar parâmetros do programa para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática que nós pretendemos fazer para resgatar uma perspectiva de reafirmação dos direitos, reafirmação dos valores democráticos, que está no cerne do nosso projeto”, disse Haddad.

Edição: Diego Sartorato