Eleições

O brilho no olho da militância indica a virada, diz Gilmar Mauro

Em entrevista para a Rádio Brasil de Fato, o dirigente nacional do MST mostrou otimismo com a virada

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Gilmar Mauro, dirigente nacional do MST / Foto: Reprodução

O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Gilmar Mauro está otimista com a virada do resultado das eleições pelo candidato Fernando Haddad (PT). A pesquisa Vox 247, divulgada neste sábado (27), indica empate técnico entre o petista e Jair Bolsonaro (PSL) na eleição presidencial.

"Eu estou otimista, nesses últimos dias a militância, artistas, a cultura brasileira assumiu uma postura importante. Quando você vê o brilho no olho da militância é porque as coisas estão mudando", afirmou.

Segundo Mauro, entrevistado pela Rádio Brasil de Fato neste sábado (27), o discurso de Bolsonaro transmitido no último domingo (21) em um ato na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), foi fundamental para a mudança dos votos. "Desde o discurso de Bolsonaro domingo, acho que vamos para uma vitória, talvez apertada, mas caminhamos certamente para uma vitória. Essa é a expectativa da militância e das pessoas sensatas do país", afirmou.

O dirigente destaca, no entanto, que independentemente do resultado do pleito, há uma necessidade "concreta e pragmática" de criação de uma frente ampla de diversos setores de centro-esquerda para garantir a governabilidade de um possível governo do PT, ou o enfrentamento a um governo de Bolsonaro.

"O que sabemos é que independentemente da postura institucional de Bolsonaro, ele instigou e soltou do armário muitos loucos. O que há um tempo era politicamente incorreto agora foi solto às ruas e estamos assistindo clima de violência e de fato ocorrendo violência no Brasil a fora. Violência até institucional, no caso da polícia, do poder judiciário".

O MST, um dos maiores movimentos populares do mundo, tem sido continuamente ameaçado por Bolsonaro, que tem como uma das principais medidas de seu plano de governo a criminalização dos sem-terra integrantes do movimento. Histórico aliado de representantes do agronegócio e incentivador da violência contra militantes que ocupam latifúndios improdutivos, Bolsonaro ressaltou, em seu discurso na última semana, que os militantes teriam que ir para o exílio ou para a cadeia.

Segundo Mauro, não é a primeira vez que o movimento está na mira da criminalização. "Desde o governo militar [1964-1985], mas também no governo Collor [1990-1991] e de alguma forma no governo de Fernando Henrique Cardoso [1995-2002] fomos enfrentando do nosso jeito. Não tenho dúvida que enfrentaremos qualquer cenário que venha pela frente. Nossa causa é justa, e se você não resolve questões sociais, elas só se avolumam. Qualquer governo que quer criminalizar movimentos está armando uma bomba relógio que explodirá lá na frente", afirmou.

Para o dirigente do MST, é preciso tirar lições desse processo eleitoral, para o desenvolvimento de um trabalho de base "mais amplo e politizador". "Temos que construir um processo de politização para essa avalanche popular se transformar em poder popular. Essa eleição será um marco na história desse país. Se perdermos a eleição seguiremos de cabeça erguida, não esperem o MST baixando a guarda e parando de fazer luta", afirmou.

A Rádio Brasil de Fato continuará no ar neste domingo (28), acompanhando o 2º turno das eleições, recebendo cientistas políticos, economistas, artistas e militantes para analisar a disputa presidencial e dos estados que também terão seus governadores eleitos amanhã.

Edição: Diego Sartorato