AMÉRICA LATINA

Em comunicado, Forças Armadas da Venezuela reiteram "obediência e lealdade" a Maduro

"Não vão poder passar pela consciência e espírito patriótico dos homens e mulheres da FANB", afirmou ministro da Defesa

Documento foi lido pelo ministro da Defesa venezuelano, Vladmir Padrino López (centro), e reconhece Maduro como único comandante-em-chefe / Foto: Twitter/FANB

As Forças Armadas Nacional Bolivarianas da Venezuela (FANB) divulgaram nesta terça-feira (18) um comunicado oficial, em transmissão por cadeia de rádio e televisão, rechaçando as recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump e reiterando “obediência, subordinação e lealdade” ao mandatário Nicolás Maduro.

O documento foi lido pelo ministro da Defesa venezuelano, Vladmir Padrino López, e reconhece Maduro como único comandante-em-chefe. Além disso, diz que a FANB “jamais aceitará ordens de nenhuma potência estrangeira, nem de autoridade alguma, que não provenha da decisão soberana do povo”.

A FANB afirmou que as “ameaças, chantagem e coerção não fragmentará nossa dignidade e fortaleza moral, pois não somos mercenários que se vendem à melhor oferta. Somos os filhos de Bolíviar, os filhos de Zamora e os filhos de Chávez, fieis a seus princípios de liberdade, soberania e independência”.

Padrino López disse que Trump crê ter a autoridade de fazer exigências aos militares venezuelanos e considerou suas palavras falta de respeito, subestimação e irresponsabilidade inéditas.

“É insólito que [Trump] dê ordens aos soldados e soldadas da FANB”, disse o ministro, que também se dirigiu à oposição. “Não vão poder passar pela consciência, pelo espírito patriótico dos homens e mulheres da FANB, pela via da força, para impor um governo títere, entreguista e antipatriótico. Não vão consegui-lo, não vão poder consegui-lo, terão que passar por cima de nossos cadáveres, por estes cadáveres”, afirmou.

O ministro disse que os passos dos EUA respondem a uma campanha de manipulação psicológica e propagandística para obter o poder político na Venezuela, promovendo uma guerra civil investida de “ajuda humanitária” e, desta maneira, obter as riquezas do país.

“Trump ignora o caráter bolivariano e anti-imperialista da FANB, cuja consciência hoje é civilista e civilizada”, afirmou.



Ajuda humanitária russa



Também nesta terça, Maduro anunciou a chegada de 300 toneladas de ajuda humanitária provenientes da Rússia. O mandatário também reafirmou seu repúdio à carga de alimentos e medicamentos dos EUA que a oposição tenta fazer entrar no país.

"Na quarta-feira (20) chegam 300 toneladas de ajuda e assistência humanitária da Rússia", disse Maduro durante um ato do governo transmitido pela TV, especificando que são "medicamentos de alto custo".

O presidente afirmou novamente que a ajuda humanitária oferecida pelos Estados Unidos e outros países a pedido do deputado Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, não passa de um "show" e "trapaça pega-bobos". Maduro também destacou que a carga russa vai entrar "legalmente" na Venezuela e que foi paga por seu governo.



(*) Com TeleSUR

Edição: Opera Mundi