Bahia

Caetano Veloso visita assentamento do MST e defende produção agroecológica

Na sua cidade natal, o cantor conversou com os sem-terra e fez um apelo por mais incentivo público à produção camponesa

Brasil de Fato | Santo Amaro (BA)

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Os sem-terra do assentamento Paulo Cunha, no Recôncavo Baiano, receberam a visita de Caetano Veloso / Foto: Flávia Gianini

O assentamento Paulo Cunha, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no município de Santo Amaro, a 52 km de Salvador (BA), recebeu neste domingo (10) a visita de Caetano Veloso. Natural desse município do Recôncavo Baiano, o cantor visitou diversas casas e fez uma refeição junto aos camponeses.

O assentamento foi criado em 2008, dentro do processo da reforma agrária, mas a luta para garantir o direito à moradia e à terra começou bem antes, nos anos 2000. Hoje vivem no local 170 famílias, que produzem, principalmente, frutas cítricas, banana e mandioca, em uma aérea de 3.115 hectares. 

O assentamento Paulo Cunha, batizado em homenagem a um importante agrônomo apoiador do movimento, produz por conta própria, sem subsidio ou apoio governamental. O local conta ainda com uma escola de ensino fundamental construída pelos moradores, onde estudam cerca de 50 crianças.

Entre as visitas a algumas casas, Caetano conheceu Grimário, que junto com a sua companheira receberam o cantor em seu quintal. Na conversa, o sem-terra relata que a vida no assentamento é muito boa, mas ainda faltam políticas públicas para "embalar" a produção. "É esse empurrão que falta", disse Grimário.

Perguntado por Caetano como o casal leva a produção, o camponês responde que ainda não estão cultivando tão bem quanto gostariam, mas que "dá para ir levando". A família de Grimário produz uma variedade frutas, como laranja, banana, cana, acerola, siriguela e coco, além de temperos. A venda dos alimentos é feita na própria feira de Santo Amaro ou para as pessoas que vão até o assentamento. "É produto natural, agroecológico", relatam, orgulhosos.

Os sem-terra dessa área atualmente lutam para levar água ao assentamento, que, em sua maioria, se abastece por meio de poços artesianos. Outra demanda é a construção de uma escola em alvenaria.

Caetano encerrou neste domingo sua temporada no verão baiano e retorna ao Rio de Janeiro, onde mora. Mas não sem antes fazer um apelo às autoridades locais para que olhem para os camponeses do MST na região.

“São quatro assentamentos na zona rural de Santo Amaro. Com o mínimo de infraestrutura, a produção poderia ser maior e os trabalhadores rurais garantiriam itens orgânicos e agroecológicos para habitantes das cidades do entorno”, concluiu o músico.

Os sem-terra preparam uma mesa de refeições com alimentos produzidos no assentamento.

Edição: Vivian Fernandes