EUROPA

Partido Socialista vence eleições legislativas de Portugal

Abstenção deste domingo (6) foi a maior desde 1975, quando foi realizada a primeira eleição após a Revolução dos Cravos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Primeiro-ministro António Costa afirmou que "os portugueses gostaram da ‘geringonça’ e desejam a continuidade, com um PS mais forte” / Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP

O Partido Socialista (PS), do atual primeiro-ministro António Costa, venceu as eleições legislativas de Portugal que aconteceram neste domingo (6). A direita tradicional, representada pelo Partido Social-Democrata (PSD), perdeu espaço no Parlamento.

Com 99,93% das urnas apuradas, o PS conquistou 106 assentos, 20 a mais que nas eleições de 2015. Em segundo lugar ficou o PSD, de centro-direita, que conseguiu 77 cadeiras, 30 a menos que em 2015, quando concorreu com a coligação “Portugal à Frente”. 

O Bloco de Esquerda conquistou 19 assentos, mesmo resultado de 2015. A CDU, que reúne o Partido Comunista Português (PCP) e o Partido Ecologista “os Verdes” (PEV) conquistou 12 cadeiras. 

Ao contrário da maior parte da Europa, onde a extrema direita cresceu como tendência, os ultranacionalistas nunca tiveram força em Portugal. Nesta eleição, no entanto, a sigla Chega!, que representa este espectro político, conseguiu eleger seu primeiro deputado. 

Para maioria, era necessário que um partido atingisse pelo menos 116 cadeiras (de um total de 230). Como isso não aconteceu, Costa terá que tentar fazer uma coalizão ou com o Bloco de Esquerda (BE), ou com a CDU – com qualquer um dos dois, será possível conseguir maioria. O premiê pode tentar reeditar, também, a “geringonça”, a aliança entre os partidos de esquerda que o levou ao poder.

A abstenção foi alta – 45,68% –, a maior desde 1975, quando foi realizada a primeira eleição após a Revolução dos Cravos.

Reações

O premiê, que deve se manter no cargo, agradeceu a votação. “Os portugueses gostaram da ‘geringonça’ e desejam a continuidade, com um PS mais forte”, disse. "O PS ganhou as eleições e reforçou claramente a sua posição em Portugal. Aumentou e ganhou em votos e em mandatos."

O Bloco de Esquerda se colocou à disposição para conversar com o PS. "No Bloco de Esquerda, os compromissos são para valer. A responsabilidade é toda. A disponibilidade também", afirmou Catarina Martins, coordenadora nacional do grupo. "O Bloco estará no Parlamento com toda a disponibilidade para negociar dentro dos seus compromissos e está preparado para negociar uma solução que ofereça estabilidade para o país."

A CDU registrou uma queda em relação a 2015, quando obteve 8,25% dos votos e 17 assentos. O líder do PCP (Partido Comunista Português), Jerónimo de Sousa, reconheceu a perda. “Mas estamos longe daquelas declarações mais ou menos agoirentas que consideravam que a CDU estava arrumada, quando alguns anunciavam o seu declínio e morte. O que dirão hoje esses senhores que comentavam o fim da CDU?", questionou.

Sousa não exclui votar programaticamente com governo, mas disse que não vai repetir a “cena do papel” – oportunidade em que o PS assinou com cada um dos membros da “geringonça” os pontos de convergência para sustentar a administração de Costa. “[O PCP vai trabalhar] Sem compromissos mútuos em termos formais ou institucionais, mas de forma independente."

(*) Com Opera Mundi

Edição: Rodrigo Chagas