Democracia

Tico Santa Cruz: "A democratização da mídia constrói um país mais justo e honesto"

Cantor participou de debate contra o golpe na noite desta quarta-feira (14), em Curitiba (PR)

Curitiba (PR)

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Tico Santa Cruz, em evento promovido pela Frente Brasil Popular / Fórum 29 de abril

Estabelecer mecanismos legais para vozes alternativas na grande mídia é um debate árduo e que demanda muito tempo, mas ajudará a construir um país mais justo, honesto e democrático. Esta é a avaliação do cantor Tico Santa Cruz que na noite desta quinta-feira (14) participou de um debate contra o golpe, em Curitiba, na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato). O encontro foi promovido pela Frente Brasil Popular.

“Tem duas narrativas acontecendo hoje. Uma da imprensa tradicional que é muito focada em tentar colocar toda a responsabilidade do processo que acontece em um partido só, isso é uma coisa muito clara. Quem só se alimenta deste tipo de informação vai ter a impressão de que é só exterminar o PT e acabou o problema. Quem se informa só por um caminho sofre com a falta de profundidade nesta percepção. Mas não podemos ter apenas um ponto de vista em uma coisa tão plural, tão cheia de cores, como é a política”, afirmou Tico.

A outra narrativa, segundo o cantor, acontece por meio da Internet. “São mídias alternativas e formadores de opinião que não estão reproduzindo o mesmo discurso e que são perseguidos por conta destes posicionamentos”, disse o artista referindo-se aos processos que blogueiros e jornalistas progressistas sofrem, inclusive de representantes da grande mídia.

Ainda que seja um espaço mais democrático como espaço alternativo de informação, segundo o cantor, na internet o cenário também não é tão simples. “Há um paradoxo nessa história: a internet é um oceano com a profundidade de piscina de criança. As pessoas acham que podem resumir debates longos e complexos a 140 caracteres ou eventualmente a um textão no Facebook e com isso já se incomodam de ler um pouco mais”, completou.

Neste cenário, a democratização da mídia, uma antiga reivindicação dos movimentos populares, se tornou o caminho sem volta para mudar esse processo. “Não estamos falando de censurar ninguém, ao contrário, estamos falando de ampliar o debate para que mais pessoas possam falar sobre o que está acontecendo, isso é fundamental para tentar mudar esse quadro. Mas quando se toca nesse assunto, ele já é subvertido como uma tentativa de censura. É um trabalho árduo que demanda muito tempo e ação, mas que vale a pena pois estaremos construindo um país mais justo, honesto e democrático”, projetou.

Crise Política

Sobre o atual cenário político brasileiro, Tico Santa Cruz fez a defesa contra a ruptura do sistema democrático. De acordo com ele, não se trata de gostar ou não da gestão da presidenta Dilma Rousseff, mas de respeitar as regras estabelecidas.

Ele citou como exemplo a ex-senadora Marina Silva (Rede) que defendeu a ideia da convocação de novas eleições. “Imagina só, fazemos novas eleições e não agrada todo mundo. E aí? Fazemos novas eleições de novo e vamos fazendo até chegar onde? A democracia tem regras”, enfatizou.

“Se há crime de responsabilidade, a presidente deve ser punida e afastada, mas juristas dos mais variados tipos, pró e contra, já analisaram o processo e sabem que é um processo político e não jurídico. As pessoas estão utilizando sua indignação de forma equivocada, talvez fosse mais lógico lutar por uma reforma política do que tirar uma peça dentro de um sistema podre”, completou Tico Santa Cruz.

Publicado originalmente no site CUT-PR