Educação

Professores da USP aprovam greve e unificam luta com estudantes e funcionários

Docentes afirmam que mobilização é resposta a “desmonte” da Universidade promovido pela Reitoria

São Paulo (SP)

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Professores da USP decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda-feira (30) / Adusp/ Divulgação

Os professores da Universidade de São Paulo decidiram entrar em greve para denunciar o que eles chamam de “desmonte” da USP, na noite da última segunda-feira (23). Eles reivindicam reajuste de 3% dos salários. A greve foi aprovada pela maioria dos presentes na assembleia da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) e deve começar na próxima segunda (30). Os professores se juntam aos estudantes e funcionários da instituição, que também permanecem em greve.

Segundo os professores, a reitoria tem promovido o desmonte da Universidade demitindo funcionários e contratando terceirizados para as vagas. Os docentes denunciam também o fechamento das creches e pedem transparência nas contas da instituição.

A Reitoria discutirá o reajuste salarial em uma reunião marcada para a tarde desta terça-feira (24), com o Conselho Universitário, formado por representantes dos funcionários e professores. O professor César Minto, da diretoria da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), não acredita que o reajuste seja aprovado e “mesmo que isso aconteça, a greve não deve acabar”.  

“Nós temos uma assembleia no dia 31, mas nossas pautas são muito amplas. Mesmo que o reajuste seja aprovado, nós ainda vamos lutar pela carreira e contra o desmonte da USP. Devemos nos manter em greve”, afirma César.

Ele afirma ainda que o governo tem promovido diversas manobras na porcentagem do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que deveria ser repassado às universidades paulistas. “Entre 2014 e 2015, o governo deixou de repassar R$ 600 milhões por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias, retirando programas habitacionais, juros de mora e mudando a base de cálculo”.

Greve dos alunos

Cerca de 83% dos cursos da USP em São Paulo e no Interior estão paralisados, segundo Thamys Torto, uma das lideranças do Diretório Central dos Estudantes (DCE). “Quando a gente tem uma greve unificada dos três setores, a gente mostra que existe um sentimento de insatisfação com essa gestão, que não tem diálogo. Nós vamos mobilizar e lutar pelos nossos direitos e uma Universidade que seja justa”, aponta Thamys, do curso de Farmácia.

Segundo Thamys, a contratação de novos professores é uma das pautas unificadas entre professores e alunos. Thamys explica que as “vagas dos professores aposentados não são repostas, criando um déficit de docentes nas classes”. Os alunos ainda reivindicam a adoção de cotas, pedem a adoção de medidas que permitam a permanência dos alunos na Universidade e denunciam a desvinculação do Hospital Universitário da instituição. 

“Não vai afetar só a formação de novos alunos e os cargos dos professores, mas também a saúde pública, de pessoas que dependem de atendimento na Hospital”, revela Thamys Torto.

O estudante afirma que “vamos mostrar que nós somos capazes de emparedar o reitor, mostrar para a sociedade qual o caráter desse reitor, mostrar porque ele se nega a discutir coisas que são fundamentais para a nossa Universidade”. 

Resposta

Por meio de sua assessoria, a USP disse que “não há previsão de fechamento das creches”. Segundo a Universidade, “atualmente, cerca de 400 crianças frequentam as creches, que representam custo anual de R$ 28 milhões para a USP, que por obrigação legal, oferece o auxílio-creche a funcionários técnico-administrativos e docentes, com filhos ou crianças tuteladas ou legalmente adotadas, até seis anos de idade, e que não estejam matriculados em Creche, Núcleo de Recreação Infantil ou Escola de Aplicação mantidos pela Universidade”.

A Reitoria afirma que as contratações estão suspensas desde fevereiro de 2014, “como medida de reequilíbrio financeiro”

A direção da USP diz também que o Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP) não será modificado. "Não é verdade que o reitor tenha a intenção de extinguir o RDIDP ou fazer alterações nos regimes de trabalho dos docentes. Essa boataria não procede. Só interessa a quem quer envenenar o ambiente universitário com mentiras e maldades".

Edição: Rafael Tatemoto