Cinema

Tata Amaral fala sobre novo filme, que resgata memórias da ditadura civil-militar

Longa-metragem estreia nesta sexta-feira (16) e traz conflitos geracionais sobre passado político do país

São Paulo

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Carlos Alberto Riccelli como Telmo em cena do filme "Trago Comigo" / Jacob Solitrenick/Divulgação

"Parece que tem alguém lá em cima mexendo os pauzinhos para que ele saia agora", brincou a cineasta Tata Amaral. Ela se refere ao filme Trago Comigo, seu novo longa-metragem que estreia nesta sexta-feira (16). Lançado no mesmo ano em que um deputado federal homenageou o torturador Carlos Brilhante Ustra no Congresso Federal, o filme aborda a memória da ditadura civil-militar brasileira através da história de Telmo (com elogiada atuação de Carlos Alberto Riccelli), ex-preso político e dramaturgo aposentado.

Ele é convidado a dirigir um nova peça teatral para a reinauguração de um teatro. No processo de produção, Telmo relembra passagens e memórias perdidas daquele contexto. Trechos de depoimentos reais de personagens como a militante Maria Amália Telles foram inseridos para reafirmar que a tortura e a violação de direitos durante o regime foram reais, diz a diretora.

O filme é uma adaptação da minisérie de quatro capítulos co-produzida pela TV Cultura e o SESC. Na época, em 2009, Tata foi a diretora-geral do programa cujo roteiro era assinado por Thiago Dottori. Ela afirma que o lançamento agora, no complexo momento político, é mais do que propício para debater a democracia no país, com o resgate do trauma do golpe de 1964 e seus desdobramentos. Esta é a segunda produção consecutiva da diretora tratando do tema, que anteriormente foi problematizado em “Hoje”.

Com a maior virtude de tratar de um tema denso com humor e leveza, mas de maneira sólida, o longa foi o vencedor da prêmio do público do último Festival de Cinema Latino-Americano.

O Brasil de Fato conversou com a diretora. Confira o vídeo:

Edição: Simone Freire.