8 de março

MST intensifica mobilizações nesta terça contra desmonte da Previdência

Ações foram realizadas por trabalhadoras rurais ligadas ao MST e fazem parte da Jornada de Lutas desse 8 de março

Brasil de Fato (SP)

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Ocupação do complexo industrial da Vale, em Cubatão, denunciou a dívida de INSS da empresa com o Estado. / Júlia Dolce

Milhares de mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram mais ações em todo o Brasil nesta terça-feira (7) para denunciar os ataques às políticas ligadas à reforma agrária e ao desmonte da Previdência do governo não eleito de Michel Temer.

Em Maceió, cerca de 1.500 trabalhadoras rurais de todas as regiões de Alagoas ocuparam a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nesta manhã. Na capital de Mato Grosso, Cuiabá, outras 500 mulheres marcham pela cidade rumo à região central e ao Incra. Já em Porto Alegre (RS), cerca de 100 mulheres da Via Campesina, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Levante Popular da Juventude realizaram na madrugada desta terça um protesto no Aeroporto Internacional Salgado Filho. A ação teve como objetivo dialogar com os deputados federais e senadores que apoiam o governo Temer e que viajaram hoje a Brasília, para que eles se posicionem e votem contra à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que trata da reforma previdenciária.

No estado de São Paulo, cerca de 1,5 mil mulheres paralisaram o complexo industrial da empresa Vale Fertilizantes, em Cubatão (SP), para denunciar a dívida da mineradora com a Previdência. A Vale está na lista da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), como uma das maiores credoras do sistema previdenciário. A empresa deve R$ 276 milhões ao INSS.

Jornada de Luta

As ações realizadas pelo o MST fazem parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem-Terra, que acontece entre os dias 6 e 10 de março. Com o lema "Estamos todas despertas: contra o capital e o agronegócio. Nenhum direito a menos!", as mulheres do MST prometem se mobilizar por todo o país, promovendo ações que criticam, entre outras pautas, a reforma da Previdência e suas consequências para as jornadas de trabalho das mulheres do campo. As mobilizações se somam às lutas das mulheres em torno do dia 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres.

Nesta segunda-feira (6), cerca de 500 trabalhadoras rurais já haviam ocupado as instalações do Incra em Sergipe, onde permanecerão por tempo indeterminado. Outras duas mil realizaram duas ações no estado da Bahia: as ocupações do Incra em Salvador e da Usina Santa Maria, no município de Medeiros Neto, no extremo sul do estado.

Edição: José Eduardo Bernardes