DEBATE

Coletivo lança websérie sobre redução da maioridade penal pelo olhar do jovem

“O Filho dos Outros” é formado por quatro episódios, que serão exibidos no YouTube e Facebook a partir desta quarta (22)

Rede Brasil Atual

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Toda série foi financiada por recursos obtidos coletivamente por meio da plataforma Catarse / Divulgação

O Coletivo Rebento, formado por jornalistas, documentaristas e artistas, lançou ontem (21) a websérie O Filho dos Outros, que debate a proposta de redução da maioridade penal a partir da voz da juventude e de pesquisadores no tema. No ano passado, a websérie – que começou a ser produzida em 2015 – foi indicada a melhor roteiro documental pelo Rio WebFest, um dos principais festivais do país de produção audiovisual para internet.

Toda a série, formada por quatro episódios, foi financiada por recursos obtidos por meio de campanhas de financiamento coletivo na plataforma Catarse. Cada um dos vídeos tem duração de 13 a 18 minutos e os episódios serão exibidos e divulgados no canal do coletivo no YouTube e na página no Facebook, sempre às 10h, a partir de hoje (22).

Ontem, ocorreu uma pré-estreia em São Paulo, em comemoração ao Dia Internacional contra a Discriminação Racial. A exibição foi no teatro de contêiner da Cia Mungunzá, no centro da cidade, a céu aberto. Foram exibidos os quatro episódios, e em seguida houve uma roda de conversa com debatedores convidados, produtores e personagens da websérie.

Na pré-estreia, os organizadores também entregaram as recompensas para aqueles que contribuíram pela campanha de financiamento do Catarse, e inauguraram uma exposição de fotos e das obras confeccionadas pelo artista Guilherme Augusto GAFI, responsável pela identidade da produção.

Sinopse

No primeiro episódio, chamado Pea, parte do Coletivo Rebento acompanhou a situação do sistema socioeducativo do Ceará, que é marcado rebeliões e denúncias de torturas e maus tratos contra os adolescentes internos. Os integrantes entrevistaram especialistas, membros de entidades de proteção à criança e ao adolescente e entraram em algumas unidades mostrando uma situação degradante e a necessidade de se repensar o modo de funcionamento do sistema.

O segundo episódio, Salmo 121, conta a história de mães e ex-internos que passaram pela antiga Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), atual Fundação Casa, de São Paulo, retratando a experiência da internação e os impactos sociais e psicológicos desse processo na vida dos jovens e de suas famílias.

Ovelha Negra, terceiro episódio, e discute a entrada de jovens e adolescentes no crime, debatendo as razões que os levam a escolher este caminho, por meio da história de ex-internos. O coletivo também aborda o processo de formação e expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atualmente domina grande parte dos presídios no Brasil.

No quarto e último episódio, Roda Gigante, o coletivo propõe uma imersão no universo da juventude de periferia que se encontra em rolezinhos, bailes funk e redes sociais, e a forma como eles afirmam sua identidade na produção cultural e no seu comportamento. O episódio ainda questiona como a mesma sociedade que consome as músicas produzidas pelos jovens da periferia, ainda faz deles alvos de preconceito e criminalização.

 

Publicado originalmente no Rede Brasil Atual

Edição: Rede Brasil Atual