Energia

Privatização da Eletrobras é uma tragédia, diz dirigente do MAB

Governo enviou proposta de venda de ações da empresa ao Programa de Parceria e Investimentos na última segunda (21)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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A usina de Itaipu é uma daquelas que serão atingidas pela privatização / Agência Brasil

A proposta do governo golpista de Michel Temer (PMDB) de privatizar a Eletrobras é uma "tragédia" e vai afetar diretamente o consumidor. A avaliação é de Gilberto Cervinski, coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB). 

O coordenador comenta a proposta do governo Temer, enviada nesta segunda-feira (21), para que o Ministério de Minas e Energia entregue ao Programa de Parcerias e Investimentos a tarefa de vender ações da Eletrobrás, empresa responsável pela geração, distribuição e transmissão de energia elétrica.

"O que eles estão propondo é uma tragédia. Vai explodir, vai dar um choque, se você pegar e analisar, é um impacto muito grande, do ponto de vista na conta de luz", disse.

Gestão

Ao todo, a empresa administra 47 hidrelétricas, 270 subestações de energia, seis distribuidoras e possui 70 mil quilômetros de linhas de transmissão. Essas linhas atendem 12 milhões de habitantes em seis estados.

Cervinski explica que as empresas administradas pela Eletrobrás já tiveram seus gastos amortizados, principalmente pela contribuição arrecadada com as tarifas de luz pagas pelos usuários. Com a privatização, ele afirma que o povo voltará a pagar contas mais altas para cobrir novos gastos estimulados pelo próprio mercado.

Consumidor

O governo espera arrecadar R$ 20 bilhões com a privatização. A Eletrobrás já tem suas ações na bolsa de valores, ou seja, é uma empresa de capital misto. O governo brasileiro detém grande parte dessas ações, cerca de 40%, que garantem a soberania do setor elétrico nacional.

Para Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da empresa na primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, são os usuários que vão arcar com os custos da privatização.

"Certamente vai aumentar a tarifa. Porque você vai revalorizar ativos amortizados, que terão que ser remunerados de novo para compensar o investidor. Deve ser algo em torno de 8% a 10%", disse.

Pinguelli lembra ainda que apesar do governo afirmar que a tática é utilizada para cobrir um rombo nas contas, revelada na semana passada, e que chega a R$ 159 bilhões, a escolha do governo golpista de privatizar a Eletrobras é ideológica.

"Esses caras aprenderam desde criancinha que têm que privatizar tudo que estiver na frente deles. Então isso é uma regra deles. Vão obter algum fundo para compensar o rombo gigantesco que foi produzido, mas muito pouco. Soberania nacional não existe na cabeça do Temer. Ele é uma espécie de governo lacaio", criticou.

Em nota, a Eletrobras afirmou que ainda não há aprovação da proposta enviada por Temer, nem modelo definido de como poderá ocorrer a privatização.

 

Edição: Simone Freire