Energia

Colômbia quer aproveitar suspensão de sanções para importar gás da Venezuela

Opção foi anunciada pelo presidente Gustavo Petro durante visita a Caracas; projeto depende da reativação de gasoduto

Caracas (Venezuela) |
Petro esteve em Caracas no último sábado e se reuniu com presidente da Venezuela, Nicolás Maduro - Presidencia de Colombia

A Empresa Colombiana de Petróleo (Ecopetrol), estatal energética da Colômbia, anunciou na noite desta terça-feira (21) o início de um processo de análise para importação de gás da Venezuela.

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Em comunicado, a empresa disse que está analisando as alternativas apresentadas pela PDVSA, a petroleira estatal venezuelana, para "fornecer gás natural à Colômbia a partir de dezembro de 2024".

O anúncio ocorre dias depois da visita que o presidente colombiano Gustavo Petro realizou a Caracas no último sábado (18). O mandatário se reuniu com seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, e já havia adiantado que investimentos no setor energético estavam sendo estudados por Bogotá.

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"É muito provável que a Ecopetrol se torne sócia da PDVSA em campos de gás e petróleo. Assim podemos assegurar energia elétrica à Venezuela e matérias-primas fósseis à Colômbia", disse Petro, insinuando um possível acordo também no setor elétrico com Caracas.

De acordo com a Ecopetrol, a empresa já havia pedido aos EUA a flexibilização de algumas sanções contra a Venezuela "para adiantar negociações com a PDVSA em matéria de combustíveis". Por isso, a suspensão temporária de medidas coercitivas contra a indústria petroleira venezuelana adotada por Washington, no dia 18 de outubro, abriu caminho para a nova análise da Ecopetrol.

"Conhecidos os antecedentes e a necessidade de importação de gás para os próximos anos, a junta diretiva solicitou à administração avaliar de maneira ágil as distintas alternativas para garantir a disponibilidade de gás nas quantidades e prazos requisitados", disse a empresa.

Demanda colombiana é urgente

A urgência que transparece no comunicado emitido pela Ecopetrol se deve ao aumento na demanda da Colômbia por gás natural. O país enfrenta um período de seca causada pelo fenômeno do "El Niño", que deve se agravar ainda mais nos próximos meses.

Com o setor hidrelétrico afetado pela baixa hídrica, o fornecimento de energia gerada por plantas movidas a gás deve cobrir entre 25% a 30% da demanda nacional em 2023, segundo a Associação Nacional de Empresa Geradoras (Andeg). Em anos úmidos, o setor abastece cerca de 15% da demanda.

Por isso, o país aumentou suas importações de gás natural este ano. Segundo dados da Andeg, até agosto a Colômbia havia importado 309 mil toneladas cúbicas de gás, 60% mais do que o mesmo período de 2022.

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Restabelecendo negócios com a Venezuela, o governo colombiano espera baratear custos de importação não apenas pela proximidade geográfica entre os países, que são vizinhos, mas também por acordos políticos, já que a PDVSA precisa de sócios neste momento em que pode voltar a ser um ator relevante no mercado internacional.

As expectativas foram confirmadas pelo ministro de Minas e Energia da Colômbia, Adrés Camacho, que classificou possíveis acordos com a Venezuela como "ganha-ganha".

"A Colômbia importa gás desde 2014 e ele é utilizado em grandes quantidades para a produção de energia térmica. Em 2023, o mercado ofereceu, em média, 183 mil BTU por dia [...] a 16 dólares a unidade, muito mais caro que o gás da Venezuela. Se conseguirmos preços mais competitivos, isso implicará em uma redução importante nos custos de geração de energia térmica para o país", disse o ministro.

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A operação, no entanto, implica na recuperação do gasoduto binacional Antonio Ricaurte, localizado ao norte da fronteira entre os dois países. O projeto, que foi inaugurado em 2007 pelos então presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Álvaro Uribe, da Colômbia, está desativado desde 2015.

O rompimento de relações entre Caracas e Bogotá durante o governo do direitista colombiano Iván Duque cortou todos os contatos entre os governos e impediu manutenção e reparos das estruturas.

Segundo a Ecopetrol, o gasoduto "permitiu no passado a exportação de gás para a Venezuela, mas na atualidade se encontra em período de estabilização de equipamentos para permitir os fluxos de gás para a Colômbia".

Edição: Leandro Melito