Gestão Doria

Tem banquete para empresário, mas não tem merenda, diz mãe de aluno de escola em SP

"Dória devolve a merenda" foi uma das palavras de ordem presente no ato desta quarta contra Doria em frente à Prefeitura

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Estudante durante protesto contra o racionamento de merenda em São Paulo / Norma Odara

"Como é possível poder bancar um banquete para conseguir dinheiro para privatizar São Paulo inteira e não tem como colocar merenda na escola?" Este é o questionamento de Stella Avalone, que é do Coletivo de mães solo de SP.

Stella participou do ato realizado nesta quarta em São Paulo, contra as medidas de racionamento de merenda, adotadas pelo prefeito João Doria.

Não dá pra estudar com fome, dizia um dos cartazes que eram levados pelos manifestantes em crítica ao prefeito.

Na semana passada, veio à tona, através das redes sociais, denúncias diversas de racionamento de merenda escolar. Professores e alunos estariam sendo impedidos de repetir a comida.

Glória Martins, professora da rede municipal há 30 anos critica a situação: "É o fim da picada isso, as crianças vão na escola, é claro que precisam do ensino, mais a maioria vai até pra comer porque não tem nem café-da-manhã nas casas deles".

Professores, alunos e integrantes de movimentos sociais participaram do ato desta quarta | Foto: Norma Odara

Marcella Campos, uma das diretoras da APEOESP, Sindicato dos Professores do Estado e professora da rede municipal, denunciou a situação da merenda em um vídeo nas redes sociais, na semana passada. Ela foi uma das integrantes da comissão de manifestantes que conversou com o Secretário de Relações Governamentais, Milton Flávio.

Ela conta que o secretário iniciou a conversa com tom de ironia, dizendo que "as crianças são gulosas". De acordo com a professora, no entanto, ele depois recuou e se comprometeu a averiguar a situação.

A professora comentou ainda a declaração de Doria, feita em sua página no Facebook, onde ele justificou o racionamento de merenda como forma de "combater a obesidade infantil" e que o racionamento é apenas de alimentos que fazem mal à saúde: "A realidade dos nossos alunos não é essa, mais do que isso, a própria nutricionista dele, do governo, foi na internet, desmentir, que a obesidade não se combate racionando comida.

A prefeitura marcou uma Audiência Pública da Comissão de Educação, Cultura e Esportes para a próxima quarta-feira, à uma e meia da tarde, na Câmara Municipal de São Paulo, para tratar o tema.

Edição: Vanessa Martina Silva