Luta

Artigo | 29 de agosto: dia da visibilidade lésbica

O controle à sexualidade das mulheres se expressa em crimes cruéis que nem chegam a virar notícia

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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I Virada Lésbica da Universidade de Brasília / Mídia Ninja

Este mês marca a luta pela visibilidade lésbica no Brasil. Em 29 de agosto de 1996 foi realizado o I Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE) e definido como o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. E por quê?

As mulheres são invisibilizadas e excluídas do espaço público, mas a organização das mulheres sempre influenciou nos rumos da história. A atuação nas lutas não é conhecida porque ela não é contada. Por exemplo: em agosto de 1967, em SP, a ação lésbica via o jornal “Chana com Chana”, no Ferros Bar. Foi um marco de resistência à Ditadura Militar.

Muito mudou em 21 anos, mas a luta contra o sistema capitalista patriarcal e racista segue forte. Lésbicas e bissexuais sofrem cotidianamente por serem desviantes ao padrão heteronormativo. O controle à sexualidade das mulheres se expressa na falta de atendimento à saúde, nos estupros corretivos, assassinatos, espancamentos, que nem chegam aos noticiários.

Aconteceu em BH e outras capitais do país a Caminhada das Lésbicas e Bissexuais, bem como diversas campanhas e atividades pelo interior do estado.  Anteriormente organizada em MG pela Associação de Lésbicas de Minas (ALEM), juntamente com diversos coletivos, a caminhada tem o objetivo de organizar mulheres e ir para as ruas dizer que é natural amar outra mulher. É preciso entender que o movimento de mulheres é diverso e plural, mas somente com unidade conseguimos avançar.

Neste ano, a 13ª Caminhada das Lésbicas e Bissexuais de BH foi às ruas no sábado, 26 agosto, às 16h na Praça Sete, com o tema “O amor entre as mulheres muda o mundo”, pois em meio a golpismo, retrocessos e discursos de ódio seguimos na resistência pelo caminho da luta com o povo, porque o amor entre mulheres é revolucionário!

*Giselle Maia é militante do Levante Popular da Juventude

Edição: Joana Tavares