Ocupações

SP: movimentos de moradia fazem ato contra a criminalização das ocupações

Documentos pedindo a retomada dos programas habitacionais serão protocolados nos órgãos responsáveis durante a caminhada

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Passeata do movimento por moradia saiu da praça da Sé pela boa vista der uma volta pela cidade parou no Largo São Francisco e veio pra quart / Roberto Parizotti/CUT

A imprensa comercial e representantes do poder público viram uma oportunidade para aumentar a ofensiva contra os movimentos de moradia da capital paulista diante da tragédia envolvendo famílias que moravam no prédio Wilton Paes de Almeida, no centro da cidade. 

"Tem uma agenda em curso, especialmente do governo do Estado, o prefeito de São Paulo [Bruno Covas] e também outros atores como alguns setores da mídia de tentar criminalizar os movimentos e as ocupações", diz Benedito Barbosa, o Dito, advogado e um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia (UMM).

Em respostas as acusações, os movimentos populares vão às ruas nesta quarta-feira (09) em um Ato em Defesa das Ocupações e contra a Criminalização dos Movimentos de Moradia. De acordo com Dito, nos últimos dois anos as ações de reintegração de posse aumentaram e se tornaram mais violentas. 

"Elas são feitas com muita violência com a ação da Polícia Militar, seja no centro da cidade ou mesmo nas periferias. E praticamente todos os dias a gente tem uma ação de reintegração de posse e despejo na cidade de São Paulo. Então são milhares de famílias durante o ano que são retiradas de suas casas. Hoje na cidade a gente vive um verdadeiro apartheid social em função dessa crise habitacional", denuncia o advogado.

A concentração do ato terá início às duas da tarde, na Praça da Sé, região central. A marcha segue até o Largo do Paissandu onde a manifestação será encerrada. Durante o percurso, documentos serão protocolados na sede da Prefeitura de São Paulo, do governo do Estado e na Caixa Econômica Federal, responsável pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

"As lideranças vão protocolar documentos pedindo a retomada dos programas de moradias e para que não haja despejos, nem remoções e nem criminalização das lideranças das ocupações como a gente esta vendo pela mídia golpista aqui em São Paulo", diz.

Para Dito, a tentativa de criminalização dos movimentos de moradia atende o avanço do setor imobiliário. A ofensiva também tem impacto direto na vida das famílias que vivem em ocupação e lutam diariamente um lar digno. "O objetivo deles é tirar a força das lideranças que lutam pelo direito a moradia no centro, abrir espaço para o avanço do setor imobiliário e ainda há uma agenda de criminalização da pobreza, de culpabilização das vítimas e dos pobres que vivem nessas ocupações."

O Ato em Defesa das Ocupações e contra a Criminalização dos Movimentos de Moradia se concentra na Praça da Sé, nesta quarta-feira (09), a partir das 14 horas. 

Edição: Anelize Moreira