Transporte

"Posição da esquerda é ser solidária", diz Gleisi sobre manifestações

Presidenta nacional do PT repudia emprego das forças armadas; petroleiros debatem adiantar greve

Brasil de Fato | Brasília (DF)

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Planalto anunciou emprego das Forças Armadas após resistência à teor de acordo proposto pelo governo / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após o anúncio do Planalto de que faria uso de órgãos federais de segurança e das Forças Armadas para debelar manifestações de caminhoneiros, a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffman (PR), repudiou a medida, que afirma “agravar o equívoco do governo”. 

A petista se refere à proposta do governo para um acordo com os grevistas, baseada em isenções tributárias para o diesel e desonerações para o setor de transporte. A legenda lançou uma nota em que defende a política de preços mantida durante os governos Lula e Dilma, quando os ajustes eram feitos apenas anualmente. 

Em entrevista ao Brasil de Fato, Hoffman ressaltou que a fórmula do governo não resolve o problema de outros derivados, como a gasolina e o gás de cozinha, e terá efeitos negativos em outras áreas da gestão pública. 

“O governo, ao propor subsídio e desoneração, não enfrenta o problema principal, que é a política de preços da Petrobras, que é nefasta para o povo brasileiro, considerando mais os grandes grupos financeiros acionistas do que a população, que é a maior acionista, já que se trata de uma empresa estatal. Vai tirar dinheiro de quem precisa, de políticas públicas e programas, para subsidiar o diesel”, diz. 

A senadora paranaense não deixou de adentrar a polêmica sobre qual deve ser a posição das organizações de esquerda em relação à mobilização dos caminhoneiros.

“O que nós estamos dizendo é que a saída não é a apontada pelo governo, nem por alguns setores do movimento. A postura do governo de empregar as forças federais de segurança é um fator de preocupação e intranquilidade. Agrava uma posição equivocada do governo. Em um caso desses, a posição da esquerda é ser solidária aos movimentos reivindicatórios que tem pautas justas”, afirma. 

Alexandre Castilho, diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, afirma que é preciso compreender tanto os elementos que aproximam, quanto os que afastam as organizações populares e de esquerda da mobilização atual. Para ele, o papel delas é apontar um diagnóstico e uma proposta mais profundos do que as presentes.

“Nós temos uma pauta em comum: a necessidade de baixar os preços dos derivados do petróleo. A única diferença é que queremos atuar na origem do problema. Qual o caminho? Voltar a uma política de preços internos baixos, inviabilizando as importações, porque nosso preço é mais competitivo, aumentando a produção das refinarias. Nós podemos trabalhar com 95% da nossa carga e atender o mercado. Não arrecadar impostos fará com que outras áreas sejam prejudicadas, como a Previdência Social”, afirma, se referindo à proposta do governo de zerar o PIS/Cofins sobre o diesel.

Por conta da mobilização, os petroleiros devem adiantar o processo de articulação de uma greve originalmente prevista para junho, que deve incluir como pauta justamente o aumento da produção das refinarias da Petrobras, que hoje operam, em média, em 70% de sua capacidade.

Edição: Diego Sartorato