Transporte

'Quem é ele?': Nunes anda de ônibus para promover Tarifa Zero e não é reconhecido pela população

Em trajeto feito na madrugada, prefeito é insultado e escuta reclamações de usuários do transporte público

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Aos jornalistas, Nunes refutou a tese de que adotou o Tarifa Zero para fins eleitorais. “A gente está dando a gratuidade porque vai aumentar o número de pessoas utilizando o transporte coletivo" - Wilson Dias/Agência Brasil

Para promover o programa “Domingo Tarifa Zero”, da Prefeitura de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) decidiu pegar um ônibus na madrugada deste domingo (17) no Terminal Parque Dom Pedro, no centro da capital paulista, em direção ao Terminal Santo Amaro, na zona sul da cidade.

O ônibus estava lotado de jornalistas, assessores políticos e vereadores. Mas, no trajeto de retorno, o prefeito decidiu usar um veículo com a população e uma passageira, curiosa com a movimentação, perguntou aos jornalistas. “Quem é ele?”

Além da dúvida da passageira, Nunes escutou críticas à baixa oferta de ônibus na madrugada. No terminal Santo Amaro, o prefeito foi confrontado por um usuário do transporte, que lhe mostrou o dedo do meio e disse que ele não teria seu voto para a reeleição.

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Aos jornalistas, Nunes refutou a tese de que adotou o Tarifa Zero para fins eleitorais. “A gente está dando a gratuidade porque vai aumentar o número de pessoas utilizando o transporte coletivo, de algo que a gente já pagava e estava ocioso. E as pessoas poderem conhecer a cidade, irem nos parques, equipamentos culturais, equipamentos esportivos, visitar o centro, um parente, enfim, fazer o uso da sua cidade”, afirmou o prefeito.

O Domingo Tarifa Zero atenderá 2,2 milhões de passageiros, segundo a Prefeitura de São Paulo. Para especialistas escutados pelo Brasil de Fato, o programa deve favorecer empresários do setor, beneficiados no acordo feito com Ricardo Nunes.

Rafael Calabria, coordenador do programa de mobilidade urbana do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), observa que o modelo do passe livre aos domingos adotado em São Paulo tem equívocos, não tem perspectiva de melhorar o transporte e, ao final, beneficia apenas os empresários. 

"O setor faz a conta parecer difícil, mas, na verdade, é muito fácil. Você, ao pagar ao empresário por passageiro transportado, a conta para ele é óbvia: quanto mais passageiro e mais lotado, mais rentável", analisa Rafael, sobre o critério adotado pela prefeitura para efetuar o pagamento do subsídio. 

Edição: Rodrigo Gomes