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Unidade ou morte: um pacto progressista se impõe

PCdoB, PT e PSOL, cada qual em sua trilha, também marcharão isolados?

Manuela D'Ávila (PCdoB), Lula (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) em ato político / Foto: Ricardo Stuckert

As pressões internas e forâneas inclinam o “centrão” em direção a Alckmin. Surpreendente? Nem tanto. Nunca houve por que subestimar as forças do establishment em grandes pactuações em momentos de crise no Brasil. Um norte sempre claro: garantir os interesses das oligarquias econômicas e políticas sempre que ameaçadas por qualquer processo de mobilização popular.

Não haveria por que ser diferente dada a ofensiva sem escrúpulos com a ruptura do pacto democrático e mantendo Lula prisioneiro político, sem provas, em processo faccioso e no qual não se esgotou o trânsito em julgado.

Confirmado o bloco de forças de Alckmin, Bolsonaro ficará isolado e até poderiam sobrar duas possíveis vagas ao segundo turno, se houver. Mas o fato central, nesse caso, é que a direita se une mais que a esquerda.

Quatro importantes forças de esquerda e centro-esquerda, esperança das forças progressistas e democráticas, pelos interesses do povo, marcharão isoladas num quadro desses? Isolar Ciro foi intento da direita, por que a insanidade política de ajudá-la nisso? PSB neutro na eleição presidencial é isolamento também, e mesmo que involuntariamente, seria problemático alheamento de tudo que está em jogo para os destinos do Brasil. PCdoB, PT e PSOL, cada qual em sua trilha, também marcharão isolados?

Por que? A quem interessa? As respostas não são tão obscuras assim, invocam uma concepção de tática sobre a frente ampla em face da análise concreta da realidade concreta de forças em confronto. Isso, por sua vez, indica leituras diversas sobre os riscos que ameaçam a nação brasileira, exigentes de um norte claro para mudar essa rota, a de um projeto nacional de desenvolvimento – enquanto ideário, plano e estratégias maduros para levá-lo adiante. Em distintas medidas, esses partidos e forças o subscrevem. Então, por que isolarem-se?

A incrível força de Lula é um esteio poderoso e pode ser posto a serviço disso. Sabendo que só as forças populares  podem sustentar o rumo para, vencendo as eleições, poder tornar realidade Lula Livre.

Ainda face à realidade concreta, se não for possível unir a todos, que estabeleçam uma estratégia comum para garantir presença no segundo turno e ousar vencer. É possível. Uma pactuação progressiva sem vetos de nenhuma espécie.

* Walter Sorrentino é vice-presidente nacional do PCdoB e diretor da União Brasileira de Escritores

Edição: Diego Sartorato