Debate

Eleições 2018: Em debate morno na TV Gazeta, Alckmin é o alvo das acusações

Tucano precisou se explicar sobre segurança pública e acusações de corrupção em sua gestão no estado de São Paulo

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Candidatos optaram em não colocar as cadeiras de Lula e Bolsonaro, ausentes no debate / Reprodução/ TV Gazeta

Candidatos à Presidência da República nas eleições de 2018 estiveram na tarde deste domingo (9), na TV Gazeta, para mais um debate presidencial organizado pela emissora, em parceria com o jornal Estadão e a emissora de rádio Jovem Pan. Mais uma vez, o representante da chapa encabeçada pelo ex-presidente Lula (PT), Fernando Haddad, não foi convocado para participar do evento.

O candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, que foi vítima de um ataque à faca na última quinta-feira (6), também não compareceu ao debate. Segundo a TV Gazeta, por decisão dos candidatos presentes, as cadeiras dos ausentes não foram colocadas no cenário.

O debate deste domingo mostrou candidatos mais tímidos após o ataque a Bolsonaro. Prevaleceram acusações sobre corrupção e o alvo principal dos candidatos foi o ex-governador Geraldo Alckmin, que teve que explicar a acusação de corrupção do Ministério Público contra sua gestão em São Paulo e também sobre a segurança pública do Estado, dominada por facções criminosas.

No primeiro bloco os presenciáveis puderam optar para qual candidato iriam dirigir suas perguntas. Na segunda parte, as perguntas foram feitas por jornalistas presentes ao evento. Na terceira etapa, o candidatos voltaram a questionar uns aos outros e no quarto bloco, as perguntas foram feitas pela audiência da TV Gazeta, pelas redes sociais. 

Bolsonaro

Henrique Meirelles, candidato à presidência pelo MDB, partido do golpista Michel Temer, começou o debate marcando o que seria uma tônica do candidato durante todo o evento: atacar o ex-governador tucano Geraldo Alckmin. Meirelles perguntou sobre as agressões de Alckmin contra Bolsonaro nos spots de seu programa na TV.

Segundo Alckmin, o programa foi gravado antes do ataque a Bolsonaro e as falas, que analisam o discurso de ódio do ex-militar, não são ditas por ele.

Questionado se a esquerda no Brasil não teria contribuído para o discurso de ódio, Guilherme Boulos, candidato à Presidência pelo PSOL, lembrou do assassinato da vereadora de seu partido no Rio de Janeiro, Marielle Franco, quase seis meses atrás e que até o momento segue sem resposta.

“Temos que diferenciar o que é violência e ódio na política, e o que é polarização social. Quando a diferença transborda para o ódio, isso é inadmissível. Aliás, essa semana faz seis meses do assassinato covarde de Marielle sem que a gente saiba quem matou e mandou matá-la. Bolsonaro sofreu ataque e repudiamos. Todas as diferenças que tenho com Bolsonaro vamos resolver na diferença política, não na violência. Querer achar o pai da polarização é hipocrisia”.

Bolsonaro, que aparece em segundo lugar atrás do ex-presidente Lula, foi pouco citado pelos presenciáveis, que preferiram evitar o tema do ataque, ocorrido na última quinta-feira (6).

Banqueiros

Os lucros dos bancos, que apesar da crise no Brasil, seguem aumentando, também fizeram parte do debate deste domingo. O candidato pelo Podemos, Álvaro Dias, indagou Guilherme Boulos sobre o privilégio dado à categoria no Brasil. 

Boulos lembrou que esse é um dos únicos pontos em que concorda com Dias: “O Brasil se tornou um paraíso dos banqueiros. É impressionante, uma verdadeira Disneylandia financeira, banco faz o que quer”

Segundo Boulos, seu governo vai “acabar com a farra dos bancos, primeiro em relação à bolsa banqueiro, os juros abusivos que levam R$ 400 bilhões ao ano. Aí temos condições de investir no social. Baixando os juros que você paga no seu cartão, no cheque especial, vamos fazer isso através dos bancos públicos, da Caixa e do Banco do Brasil”.

Durante sua pergunta, direcionada a Henrique Meirelles, Boulos ressaltou que o compromisso de sua candidatura é enfrentar privilégios e os privilegiados. “Você faz parte do clube dos privilegiados junto com Alckmin, Temer, que trocaram farpas essa semana, mas a gente sabe que na hora de atacar o direito dos trabalhadores, todo mundo se entende. Meirelles, quando vocês governam, sempre dá desemprego”.

Em sua resposta, Meirelles, que apesar de ser ministro da Fazenda e dar apoio ao governo golpista de Michel Temer, tem se ancorado durante a campanha na sua gestão à frente do Banco Central no governo do ex-presidente Lula, afirmou que criou ”10 milhões de empregos no Brasil em oito anos“.

Meirelles ainda foi questionado por um jornalista da emissora sobre investimentos que mantém nas Bermudas, conhecido paraíso fiscal utilizado para lavagem de dinheiro. Segundo Meirelles, ”esta informação é uma informação equivocada. O que existe é uma fundação com a finalidade exclusiva de aplicar recursos em educação no Brasil depois que eu falecer”.

Corrupção

A primeira pergunta sobre corrupção foi direcionada ao ex-governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmim. Alckmim teve que sair em defesa de seu partidário, Aécio Neves, e também teve que explicar as recentes acusações contra sua gestão, feitas pelo Ministério Público.

"Lei é para todo mundo. Quem deve, deve responder, deve ser punido. Quem não deve, deve ser absolvido. Em relação ao caso de um promotor de São Paulo, é muito estranho. Esse assunto já foi para o STJ, já disse que não tem nenhum caso de improbidade”.

Após pergunta sobre corrupção dirigida à Marina Silva, Ciro Gomes aproveitou para criticar a operação Lava Jato e denunciou a injustiça contra o ex-presidente Lula, que foi condenado no âmbito da operação pelo juiz Sergio Moro.

“A Justiça barulhenta, que dá muita entrevista, que vive nos salões da grande burguesia nacional e estrangeira, está sob suspeição. Tudo que não precisamos é uma operação como essa ser inclinada de suspeição. Considero que a sentença do ex-presidente Lula é injusta. No Brasil, o sistema que vale é o que está escrito. Não existe crime sem lei anterior que o defina. O juiz Sergio Moro não consegue demonstrar uma prova sequer. Condena Lula pelo conjunto de indícios. É a primeira sentença que conheço dessa natureza", comenta o pedetista.

Ciro ainda foi questionado por Álvaro Dias, do Podemos, sobre a democracia no Brasil e o papel das instituições. O pedetista lembrou que o golpista Michel Temer é acusado pela Procuradoria Geral da República por corrupção e formação de quadrilha. 

“As maiorias do Congresso, no Senado e na Câmara estão envolvidas na Lava Jato, em procedimentos contra a decência pública. Estando o poder democrático assim tão desmoralizado, chafurdando no privilégio, os poderes técnicos que não são eleitos pelo povo, como juízes e procuradores, que eles ocupem esse vácuo que o poder político está permitindo. Por isso, a próxima Presidência terá entre suas graves tarefas a de reconstruir a saúde das instituições brasileiras".

Educação

O tema da educação não foi dos mais apreciados pelo candidatos à presidência neste domingo. Um dos únicos a tocar no assunto foi o candidato do PDT, Ciro Gomes. Gomes perguntou à Marina Silva, candidata da Rede sobre os rumos da educação no país.

Marina apresentou proposta genérica. Ao receber o direito de réplica Ciro Gomes disse que levará o projeto realizado durante sua gestão no Ceará para todo o Brasil e aproveitou para utilizar a ascensão de Marina como “a prova de que a educação é necessária no Brasil”.

Agrotóxicos

Álvaro Dias foi questionado sobre o uso desenfreado de agrotóxicos no Brasil, que inclusive foi flexibilizado em comissão especial na Câmara dos Deputados neste ano. O candidato se disse favorável ao uso dos pesticidas por não encontrar alternativas para a produção de alimentos.

"Quando pudermos substituir o uso dos agrotóxicos, evidentemente poderemos eliminar de forma absoluta e completa irrestrita os agrotóxicos, mas ele é usado no mundo todo porque é necessário. Ou usamos o agrotóxico ou não vamos alimentar as populações mundiais que exigem essa produção", disse o candidato do Podemos, que se diz favorável ao uso das substâncias que têm causado uma série de doenças. 

Segurança Pública

O grande alvo dos candidatos presidenciáveis neste domingo foi o tucano Geraldo Alckmin. Alckmin foi questionado sobre o crime organizado em São Paulo por Henrique Meirelles. O candidato do MDB afirmou que a facção criada no Estado já se espalhou pelo país.

"São Paulo tinha, em 2001, 13 mil assassinatos. Reduzimos para 3.503 no ano passado. Somos o Estado mais seguro do país, com inteligência, investigação, investimento no sistema prisional”, disse Alckmin. 

Segundo especialistas em Segurança Pública, no entanto, a grande responsável pela queda do índice de homicídios no Estado é a própria facção, que hegemoniza o crime e decidiu que interromperia as mortes para impedir a presença da Polícia Militar em suas áreas de atuação.

Saúde

O candidato Ciro Gomes trouxe o tema da Saúde para o debate no terceiro bloco, ao questionar Marina Silva sobre as filas do SUS para o agendamento de consultas e exames. 

Marina Silva afirmou que seu governo oferecerá “saúde de qualidade para todos. Vamos transformar o SUS no Plano de Saúde dos Brasileiros”. 

Em sua réplica, Ciro Gomes ponderou que o grande problema do Brasil “é que a maioria dos municípios não tem dinheiro para contratar especialistas”. Sua proposta é organizar conjuntos de municípios e resolver 90% das questões de especialidades. Já fizemos isso no Ceará com as policlínicas”.

Indígena

A questão indígena também apareceu no debate deste domingo. Marina Silva questionou Guilherme Boulos sobre o tema. O psolista aproveitou para ressaltar que tem em sua chapa, como vice, Sônia Guajajara, do povo guajajara, da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão e que irá demarcar terras indígenas e quilombolas. 

“Não é possível que o Brasil aplique o modelo de desenvolvimento que só pensa em dinheiro. Vamos combinar desenvolvimento econômico com social e sustentabilidade ambiental. Os indígenas terão seus direitos garantidos junto com uma política que não vai estar voltada para o agronegócio. Tem gente que diz que o agronegócio carrega o Brasil nas costas. Não é assim. É o Brasil que carrega o agronegócio nas costas com isenções”, explica Boulos.

Agenda

Até o primeiro turno das eleições, os candidatos à Presidência da República terão mais seis encontros em debates organizados por emissoras de TV e também por sites jornalísticos.

Na agenda, o próximo debate presidencial será organizado pela revista Piauí, em parceria com o site de notícias, Poder 360.

Edição: Guilherme Henrique