'América Invertida'

Exposição no CCBB de SP celebra trajetória de Joaquín Torres García, artista uruguaio que ‘reposicionou o Sul como horizonte’

O emblemático ‘América Invertida’ está entre os cerca 500 itens da mostra; a entrada é gratuita

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Joaquín Torres García, (1874-1949)
Joaquín Torres García, (1874-1949) | Crédito: ©Museo Torres García / Divulgação CCBB

Está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, a mais ampla já realizada no Brasil sobre o artista uruguaio. A mostra pode ser visitada até 9 de março de 2026, com entrada gratuita, e reúne cerca de 500 itens entre pinturas, desenhos, manuscritos inéditos, maquetes e os conhecidos brinquedos de madeira criados por ele e sua família.

A seleção, com curadoria de Saulo di Tarso em colaboração com o Museo Torres García, apresenta um amplo panorama da produção de Torres García (1874–1949), figura central da arte moderna latino-americana. 

Um dos destaques da mostra é a presença de “América Invertida” (1943), imagem em que o continente sul-americano aparece de cabeça para baixo. O desenho sintetiza a frase“Nuestro norte es el sur” e materializa a defesa de uma independência simbólica e cultural da América Latina. Ao inverter o mapa, Torres García propõe deslocar o olhar e afirmar o sul como origem e referência.

Reprodução da obra América Invertida, 1943
Reprodução da obra América Invertida, 1943 | Crédito: ©Museo Torres García / Divulgação CCBB

A mostra aprofunda ainda o conceito de universalismo construtivo, desenvolvido pelo artista ao longo de décadas. Em suas composições geométricas, símbolos como sol, peixe, barco, relógio e figuras humanas organizam-se em estruturas que unem razão e espiritualidade. 

Também ganha destaque a dimensão pedagógica do artista, especialmente a experiência do Taller Torres García, criado em Montevidéu nos anos 1940. Ali, defendia que artistas latino-americanos desenvolvessem uma produção conectada às próprias raízes, sem dependência estética da Europa ou dos Estados Unidos.

A exposição inclui 90 volumes manuscritos, reunidos pela primeira vez em conjunto, além de desenhos da autobiografia Historia de mi vida e publicações históricas como Cercle et Carré e La ciudad sin nombre. 

Os “Juguetes” — brinquedos de madeira criados em família — ocupam lugar central na narrativa. Produzidos em um período de dificuldades financeiras, eles se tornaram expressão da integração entre arte e vida cotidiana. Ao lado deles, estudos e maquetes relacionados ao Monumento Cósmico (1938) revelam o diálogo entre geometria e referências à arte pré-colombiana.

A mostra também estabelece ainda conexões com o Brasil. O pensamento construtivo de Torres García influenciou gerações de artistas concretos e neoconcretos, e o percurso inclui obras de nomes como Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Alfredo Volpi e Arthur Bispo do Rosário, ampliando o diálogo entre o artista uruguaio e a produção brasileira.

Em cartaz no prédio histórico do CCBB, no centro da capital paulista, a exposição integra uma itinerância que seguirá para Brasília e Belo Horizonte em 2026. 

Serviço

Exposição: Joaquín Torres García – 150 anos 

Local: CCBB São Paulo  

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro  

Data: 10 de dezembro de 2025 a 9 de março de 2026 

Horário: das 9h às 20h, exceto às terças 

Os ingressos podem ser reservados antecipadamente pelo site do CCBB: https://ingressosccbb.com.br/exposicao-joaquin-torres-garcia-150-anos__3325

Lugar de Memória – Observatório Cultural é uma plataforma gratuita e de fácil acesso, dedicada ao registro, à difusão e à valorização da memória, da identidade e do patrimônio cultural material e imaterial da região central de São Paulo.

Editado por: Geisa Marques

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