Do oscar pro copan

Estrelado por Gabriel Leone, ‘Hamlet, sonhos que virão’ ocupa Cine Copan até 19 de abril em São Paulo

Com tradução de Wagner Moura, peça aposta em linguagem acessível para aproximar clássico do público

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Gabriel Leone em cena na montagem Hamlet, sonhos que virão, em cartaz no Cine Copan, no centro de São Paulo.
Gabriel Leone em cena na montagem Hamlet, sonhos que virão, em cartaz no Cine Copan, no centro de São Paulo. | Crédito: Bob Wolfenson/Divulgação

Em cartaz até 19 de abril, no centro de São Paulo, a montagem Hamlet, sonhos que virão ocupa o Cine Copan e transforma o antigo cinema desativado há décadas em parte da encenação. Protagonista do espetáculo, o ator Gabriel Leone afirma que o espaço é uma das principais singularidades desta montagem. “A ruína em que ele se encontra é o nosso cenário principal. Mais do que cenário, ele se transformou num personagem da peça”, diz, em entrevista ao Brasil de Fato.

Leone interpreta Hamlet na montagem dirigida por Rafael Gomes, que parte de uma tentativa de aproximar o clássico de Shakespeare do público. A escolha do espaço organiza a experiência desde a chegada do público. “Você passa no Copan, vê uma fachada, entra no hall, não dá muita coisa. Quando sobe a escada e vê o tamanho disso, a estrutura, é um susto.”

A peça condensa o texto original e reorganiza a encenação para duas horas, sem intervalo. A adaptação é assinada por Rafael Gomes e Bernardo Marinho, a partir da tradução de Wagner Moura, Aderbal Freire-Filho e Bárbara Harrington. “As traduções muito formais acabam afastando. Essa aproxima sem perder a complexidade”, explica Leone.

Na encenação, o personagem deixa o palco tradicional e passa a ocupar a plateia. “É convidar as pessoas a pensar comigo, a sentir comigo”, diz. O retorno, segundo ele, indica mudança na recepção do texto. “Tem gente que fala que entendeu melhor a peça pela primeira vez.”

A temporada acontece antes da reabertura definitiva do Cine Copan como sala de cinema. O espaço, fechado há décadas, passa a ser ocupado pela montagem em um momento em que a recuperação de cinemas de rua volta ao debate.

Leone relaciona diretamente a experiência ao cenário recente da cultura brasileira. “É uma das maiores alegrias para mim desse projeto. É essa contracorrente”, afirma. Para o ator, a ocupação de espaços como o Copan dialoga com um processo mais amplo de retomada do setor. Ele define o momento como uma “cultura se reerguendo depois de tanta porrada”, em referência aos anos de governo Bolsonaro.

Elenco de Hamlet posam para foto na escadaria de entrada do Cine Copan, no histórico edifício Copan, em São Paulo (Foto: Bob Wolfenson/Divulgação)

Clássico atual

Enquanto está em cartaz com Hamlet, Leone também esteve na cerimônia do Oscar, como elenco de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, concorreu a quatro prêmios. Ao Brasil de Fato, o ator enfatizou a influência de Wagner Moura, protagonista do filme brasileiro indicado ao Oscar, em sua decisão de encarar Hamlet, obra que ele mesmo classifica como “o Everest dos atores”.

“Foi um dos caras que mais me incentivou a fazer Hamlet”, relata Leone. Para o ator, a permanência atualidade do texto ao longo de tantos séculos está ligada à construção do personagem. “Hamlet é um desses personagens mais complexos, mais humanos que o Shakespeare escreveu.”

O universo da peça também aparece no cinema contemporâneo. Filmes como Hamnet e Valor sentimental, presentes na disputa do Oscar, retomam o texto por outros caminhos. Leone associa essa presença à capacidade do clássico de atravessar o tempo. “Você se identifica, você critica, você entende. Ele é cheio de contradições.”

Serviço

Hamlet, sonhos que virão
Até 19 de abril
Nu Cine Copan – avenida Ipiranga, 200, Centro, São Paulo
Entrada pela Galeria do Copan
Quartas, às 20h; quintas, às 17h e 20h30; sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; domingos, às 17h
Ingressos de R$ 25 a R$ 250
Classificação: 14 anos

Editado por: Nathallia Fonseca

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