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‘Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é’, diz Alcione na abertura da exposição com mais de 650 itens do seu acervo em SP

Exposição 'Com Amor, Alcione', no Museu das Favelas, estabelece paralelo entre a vida da Marrom e a migração nordestina

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Banner da exposição "Com amor, Alcione"
Banner da exposição “Com amor, Alcione” | Crédito: Reprodução/Museu das Favelas

O Museu das Favelas, na região central de São Paulo, recebe até 6 de dezembro de 2026 a exposição Com Amor, Alcione, que reúne mais de 650 itens do acervo pessoal da cantora. A mostra foi idealizada e produzida pelo Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) e chega à capital paulista após ser apresentada em São Luís, em sua primeira itinerância.

Fotografias, vídeos, figurinos, prêmios, documentos, discos, instrumentos musicais e objetos pessoais apresentam mais de cinco décadas da trajetória de Alcione. O percurso também aborda temas como família, fé, carnaval, migração e as identidades negra e nordestina, relacionando a história da artista com processos que marcaram a formação da cultura brasileira.

Um módulo criado para a temporada em São Paulo estabelece um paralelo entre a mudança de Alcione do Maranhão para o Rio de Janeiro, no fim da década de 1960, e os fluxos migratórios que transformaram a capital paulista. A mostra também presta homenagem às pessoas que deixaram suas cidades para construir novas trajetórias.

A exposição está organizada em 12 núcleos. O primeiro apresenta a formação musical da cantora, filha de um maestro de banda militar, que aprendeu música na infância e estudou clarinete e trompete, instrumento que integra o acervo exibido.

Outro espaço acompanha o início da carreira, com registros das primeiras viagens, da passagem por São Paulo, da mudança para o Rio de Janeiro, da assinatura do contrato com a gravadora RCA e das turnês internacionais.

Uma instalação reproduz o altar mantido pela artista em casa, reunindo santos católicos, entidades afro-brasileiras e objetos de diferentes tradições religiosas. Em outro núcleo, chamado “Rainha do Brilho”, figurinos usados em apresentações e desfiles mostram a estética que marcou sua imagem pública.

Entre as peças expostas estão fantasias utilizadas nos desfiles da Mangueira, escola da qual Alcione é integrante; a carteirinha de sócia número 002 da agremiação; revistas sobre o Carnaval; registros de sua participação em projetos ligados à escola de samba e um vestido usado em apresentação no Rock in Rio.

Em entrevista durante a abertura da exposição, Alcione lembrou o momento em que passou a impor seus limites. “Eu era uma lesada, gente. Se a pessoa dissesse para mim ‘sai daqui’, eu sairia. (…) Eu comecei a ter atitude quando eu descobri que, tendo atitude, as pessoas te respeitam.”

Ela também afirmou que aprendeu a reconhecer o próprio valor. “Fica muito bem em uma mulher saber quem ela é. Uma pessoa não vai chegar para mim e dizer qualquer coisa, eu aprendi a me respeitar. Para receber o respeito dos outros, precisamos primeiro reconhecer o nosso próprio valor”, disse.

Ao comentar a exposição, a cantora afirmou que a iniciativa “massageia seu espírito e sua alma”. “O que não caberia aqui no museu são os desaforos que eu já disse por causa da minha cor”, declarou.

Para Alcione, a chegada da mostra ao Museu das Favelas representa um reencontro com o público paulista. “É uma honra ter a minha vida e obra ocupando o Museu das Favelas. O nome, por si só, já revela a grandiosidade dessa instituição, que estou ansiosa para conhecer. Espero que o público goste e venha conhecer a história desta Marrom aqui, que tem uma gratidão imensa pelo povo de São Paulo. Nos vemos em breve”, afirmou.

A curadoria da exposição é de Deyla Rabelo, Gabriel Gutierrez e Luciana Gondim, com curadoria institucional de Jairo Malta. Entre os textos apresentados na mostra estão contribuições de Nei Lopes, Leonardo Bruno, Nilcemar Nogueira e Salgado Maranhão.

A visitação é gratuita e ocorre de terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h. Os ingressos podem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla ou na recepção do Museu das Favelas, conforme a disponibilidade.

Serviço

  • O quê: Exposição Com Amor, Alcione (mais de 650 itens do acervo pessoal da cantora).
  • Período da exposição: De julho até 6 de dezembro de 2026.
  • Horário de visitação: De terça-feira a domingo, das 10h às 17h (permanência no local permitida até as 18h).
  • Local: Museu das Favelas.
  • Endereço: Largo Páteo do Colégio, nº 148, no Centro Histórico de São Paulo.
  • Entrada: Gratuita (os ingressos devem ser retirados antecipadamente pela plataforma Sympla ou diretamente na recepção do museu, sujeitos à disponibilidade).
Editado por: Gia Matheus Almeida

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