Cultura

Relembre ensinamentos da sabedoria popular através dos ditados

Mouzar Benedito, colunista do Brasil de Fato, destaca que os animais são um mote recorrente nos ditados

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Os macacos estão entre os animais mais comuns nos ditados: "Cada macaco no seu galho" é um deles / Wikimedia Commons

Dar opinião está muito complicado hoje em dia. Se alguém discorda, não argumenta: xinga, ameaça, quer até matar quem pensa diferente. Seja na política, no futebol ou qualquer coisa, opinião diferente é motivo pra briga.

Tem gente raivosa como nunca. Por isso, quando estiver num meio que não é o seu, lembre-se: “Em festa de jacu, nhambu não pia”.

O conselho é, às vezes, se comportar de acordo com o lugar em que se está, como diz o ditado “Em terra de sapos, de cócoras com eles”.

Esses são exemplos de ensinamentos da sabedoria popular através dos ditados. E muitos desses ditados os animais estão presentes.

Vou citar mais alguns aqui:

Depois de uma certa idade é difícil abrir a cabeça para certas novidades, não é? Ou, mesmo abrindo, a gente tem dificuldade para aprender algumas coisas. Neste caso, valem os ditados “Burro velho não toma ensino” e “Papagaio velho não aprende a falar”.

Mas tem situações em que se valoriza muito a experiência: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca”, “Macaco velho não trepa em galho seco” e “Cachorro velho não late à toa”.

Para pessoas que não percebem que precisam se unir para ter força e vencer uma luta difícil, tem o tradicional “Caititu fora da manada cai no papo da onça”.

Quando um sujeito ruim é vítima de uma ruindade de outro pior ainda, o ditado apropriado é “A cobra maior engole a menor”.

Uma mulher que aproveitou bem a juventude, e agora cobra pureza e virtudes da filha, e ouviu o seguinte ditado: “Vaca velha parece que nunca foi bezerra”.

Para um sujeito sem-vergonha, ruim, que tem um monte de cupinchas: “Onde vai o cachorro, vão as pulgas”.

Uma coisa cada vez mais comum que vemos na política, por exemplo, é gente que considerávamos boa se enturmando com safados, e se ferrando. Podemos lembrar aos que fazem isso: “Quem se mistura aos porcos, come lavagem”.

E aquele sujeito que chega na sua casa e pede para se hospedar um ou dois dias, mas vai ficando… Para ele, pode-se dizer: “Hóspedes e peixes, com três dias fedem”.

Se algum sujeito insistir em lhe dar conselhos que você não quer, diga logo: “Quem anda pela cabeça dos outros é piolho”.

Quando uma pessoa está sendo atacada por todos os lados, dizem que ela está “Como barata em galinheiro”.

Para quem fica valentão quando um desafeto está derrotado pelos outros e não tem como reagir, pode fazer nada, pode-se dizer: “Boi atolado, pau nele” ou que é fácil “Chutar cachorro morto”.

Eu me lembro de um sujeitinho todo ingênuo, meio atrapalhado, e descobriram que ele estava namorando uma mulher bonita, paquerada por muitos homens. Para ele, vale o ditado “Boi sonso é que pula cerca”.

Bom… Já que falei em boi, vamos terminar com um ditado em que ele é citado, dando vivas à liberdade: “Boi solto lambe-se todo”.

 

Edição: Camila Maciel