SAÚDE

Menos de 10% dos inscritos se apresentam ao Mais Médicos; 40% vêm do SUS

Edital do Mais Médicos para repor saída de cubanos tem até 14/12 para apresentar substitutos

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Dos 7.271 médicos brasileiros que foram aprovados nesta segunda-feira para novos locais de trabalho, 2.844 trabalhavam no SUS / Pan American Health Organization (PAHO)

Apesar dos números alardeados pelo governo e pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que afirmam que 97,8% (8.319) das 8.500 vagas do novo edital do programa Mais Médicos já foram preenchidas, apenas 738 profissionais se apresentaram (9,8%) para começar os trabalhos no vazio deixado pelos médicos cubanos.

Outro dado preocupante vem de estudo do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), que mostra que dos 7.271 médicos brasileiros que foram aprovados nesta segunda-feira para novos locais de trabalho, 2.844 trabalhavam no Sistema Único de Saúde (SUS) em programas como o Estratégia Saúde da Família (ESF) que atua com medicina preventiva em áreas vulneráveis no Brasil.

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A debandada de perto de 40% desses profissionais gerou reclamações de prefeituras que ficaram sem profissionais. Em alguns estados, como a Paraíba, 70% dos inscritos já trabalhavam no setor público, causando um efeito de cobertor curto.

O número pode aumentar uma vez contabilizados os profissionais que trabalham em hospitais e Unidades de Prontos Atendimento (UPAs). O Mais Médicos tem salários melhores e benefícios que os municípios não podem oferecer, pagando R$ 11.800 sem imposto de renda com uma carga horário de 32h, contra às tradicionais 40.

Segundo o edital, a apresentação dos profissionais tem que acontecer até o dia 14 de dezembro e caso não haja o preenchimento de vagas, deverá haver uma segunda chamada. Matéria da Uol demonstra que em algumas cidades, como Cosmópolis (SP), de sete aprovados no edital, apenas três estão disponíveis e outros três desistiram antes da posse.

*Com informações da UOL e Agência Estado

Edição: Tayguara Ribeiro