Com uma programação que vai de exposições a aulas, de exibições de filmes a passeios, o Museu da Diversidade Sexual (MDS), na estação República do Metrô de São Paulo, traz também diversidade de atividades que dialogam entre si.
Criado em 2012, a partir da articulação de movimentos populares, o museu deixou, ao longo da sua existência, de ser apenas um espaço de exposição para abranger outras atividades. “A partir do acervo do museu e das obras que a gente expõe, a gente faz atividades educativas, atividades culturais que dialogam com o território e trazem para esse lugar uma integração com a cultura, com a arte, com a história LGBT que se expõe nas paredes do museu”, afirma a diretora do MDS, Emília Paiva.
Foi o caso do encontro do Clube do Livro, ocorrido na noite de terça-feira (23), com o jornalista Chico Felitti, sobre seu livro Rainhas da Noite, que conta a trajetória de três travestis que comandaram a noite do centro da cidade de São Paulo, entre 1970 e 2000. O livro está exposto em um espaço do museu que destaca obras ou trechos de obras que falam de personagens LGBT reais ou ficcionais.
Durante mais de uma hora, a plateia pôde ouvir a experiência do escritor, perguntar e expressar suas posições. “[O clube] é de extrema importância. Essa troca é muito rica. Às vezes, uma pessoa vai ver o que não estou vendo ali”, conta a técnica de farmácia e estudante de psicologia, Arethuza Rodrigues Capozolli, com o livro na mão para pedir um autógrafo.

“Eu achei o público do Museu da Diversidade interessante e interessado. É raro encontrar uma galera que, primeiro, leu o livro, entende muito e tem referências. Trouxeram referências que complementavam a história. Trouxeram muita coisa que eu não conhecia. Para mim, foi um grande presente”, disse Felitti.
Já o mestrando em genética Murilo Durigon Santos esteve no evento para “conhecer mais da inspiração dele [Felitti], porque ele quis investigar e como ele investigou”. Santos é um assíduo frequentador do espaço e de toda sua programação. Uma das atividades que ele mais gosta é o Rolezinho. Trata-se de um passeio no centro de São Paulo, a partir das histórias da comunidade LGBT e dos locais onde aconteceram os fatos.
Em junho, o tema do Rolezinho foi também o livro de Felitti. A artista travesti transformista Marcinha Corintho fez um percurso repleto de memórias e reflexões sobre a Boca do Luxo e as casas noturnas que marcaram gerações. E também das vivências de travestis que ocuparam e transformaram o centro de São Paulo.
A integração entre o museu e o território é um dos pilares para a programação do museu. “Ele [MDS] existe na Praça da República, porque é um território que tem uma representatividade para a comunidade LGBT muito grande, histórica, tanto sendo um lugar de manifestação, mas também um lugar de existência, de acolhimento, de festividade”, aponta a diretora do museu, Emília Paiva.

A integração entre museu e território também é feita nos corredores da estação do metrô. Em junho, mês da diversidade, foi feita uma série de ativações artísticas com música, performance e celebração. Na sexta-feira (26), houve uma apresentação da AVA Jam com o Coletivo Vogue4Life, com os passos icônicos da cena LGBT. Neste domingo (28), acontece o Cortejo Siga Bem Caminhoneira, na Praça da República, a partir das 15h.
Ainda na região da República, o MDS conta com o Centro de Empreendedorismo e Formação, que fica na avenida São Luís e integra o museu. Nele acontecem os mais diversos tipos de formação, da saúde mental à formatação de projetos culturais, da capacitação de professores à história do cinema queer.
Voltando ao espaço do próprio museu, além do Clube do Livro, é nesse espaço que acontece o Cine Clube MDS, que mensalmente apresenta uma ficção ou documentário sobre a temática. Outras atividades também são oferecidas de forma online. Todos os eventos do museu são gratuitos.

Veja os próximos eventos programados pelo museu:
Cortejo Siga Bem Caminhoneira – dia 28 de junho, na Praça da República, a partir das 15h.
Curso “Cinema Queer Mundial – Um Panorama Histórico do Século 20 até os dias atuais” – 18 e 25 de julho, 1 e 8 de agosto, das 14h às 18h, Centro de Empreendedorismo e Pesquisa (Av. São Luis, 120 – República), classificação etária indicativa – 18+
Curso “Composição de Imagem e Projeto Visual” – 22 e 23, 29 e 30 de julho, das 19h às 22h, na modalidade virtual. Classificação etária indicativa – 18+
Oficina e lançamento do livro “Ela / Dela Vida e Saúde de Mulheres Trans e Travestis de Minas Gerais”, com roda de conversa e uma oficina sobre metodologia aplicada no projeto Sempre Vivas – 03 de julho, das 9h30 às 18h00, e 04 de julho, das 09h00 às 14h00, Centro de Empreendedorismo e Pesquisa (Av. São Luis, 120 – República), classificação etária indicativa – livre
Conectando Memórias – Experiência Surda em Espaços Culturais, evento online, 21 de julho das 19h as 21h online, gratuito
Cineclube MDS – “O poder da Voz Trans com Paolla Xavier”, 11 de julho, das 15:30 às 17h00, no Museu da Diversidade Sexual
Clube do Livro MDS – “Quem tem medo de Caio F.?”, com Rafael Faustino – 18 de julho, das 16h às 17h, no Museu da Diversidade Sexual
Oficina de Higienização Básica: a sua importância no processo de conservação em suportes de papel – 21 ou 29 de julho, às 19h, no Museu da Diversidade Sexual
Encontros – Memória das Exposições: montagens, vitrines e ambiências – 23 de julho, às 19h, no Museu da Diversidade Sexual
Oficina de Acondicionamento para Objetos Tridimensionais: como meio de conservação preventiva para as múltiplas materialidades de uma obra de arte – 30 de julho, às 19h, no Museu da Diversidade Sexual
* Lugar de Memória – Observatório Cultural é uma plataforma gratuita e de fácil acesso, dedicada ao registro, à difusão e à valorização da memória, da identidade e do patrimônio cultural material e imaterial da região central de São Paulo.
