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Perseguição política

by paula last modified 2008-06-26 14:57

Em entrevista o procurador do Estado aposentado e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, Jacques Távora Alfonsin, afirmou que a ação da justiça no Rio Grande do Sul ressuscita práticas da ditadura no Brasil

Em entrevista o procurador do Estado aposentado e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, Jacques Távora Alfonsin, afirmou que a ação da justiça no Rio Grande do Sul ressuscita práticas da ditadura no Brasil


24/06/2008

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Vinicius Mansur.

de São Paulo

Radioagência NP



Centenas de famílias ligadas ao Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST) foram despejadas de dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul, no Rio Grande do Sul, na última terça-feira (17/06). Barracos, plantações, criações de animais e até o posto de saúde e a escola montada pelos sem terra foram destruídos.


As famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi, cumprindo ordens do poder judiciário. A Brigada Militar expulsou as famílias de duas áreas cedidas por pequenos proprietários. De acordo com um dos promotores responsáveis pela ação civil que determinou o despejo, Luis Felipe Tesheiner, “não se trata de remover acampamentos, e sim de desmontar bases que o MST usa para cometer reiterados atos criminosos”.


Ali, não estava em debate a questão fundiária. A decisão judicial se baseia em um relatório do Ministério Público (MP) gaúcho, no qual o MST é considerado uma ameaça à segurança nacional que precisa ser dissolvida. Em tom de denúncia, o documento chega a citar a presença de livros do pedagogo soviético Anton Makarenko. Textos de Florestan Fernandes, Paulo Freire e Chico Mendes são apresentados como exemplos da “estratégia confrontacional” do movimento.


Em entrevista a Radioagência NP, o procurador do Estado aposentado e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, Jacques Távora Alfonsin, afirmou que a ação da justiça ressuscita práticas da ditadura no Brasil. Para Alfonsin, há uma ação orquestrada no Rio Grande do Sul, baseada na perseguição ideológica.


Radioagência NP – Juridicamente, como você caracteriza essa ação da Justiça gaúcha?

Jacques Alfonsin - Nós estamos enfrentando uma situação de violação flagrante dos direitos humanos, de uma infidelidade manifesta do MP às suas próprias finalidades. Quem lê a petição inicial vê que o MP vestiu a camisa dos latifundiários. Na Constituição Federal, a função do MP não é perseguir pobre, nem evitar pressão social de gente que está reivindicando reforma agrária. Essas ações se baseiam num sociólogo rural [Zander Navarro] magoado com o movimento. Não existe preocupação destes promotores em sustentar essas coisas em fatos, é tudo gente que não concorda ideologicamente com o movimento.


A medida seria, então, perseguição ideológica?

Na petição inicial, os promotores se baseiam no fato de que o MST é um movimento anti-capitalista e esquerdista. Quer dizer, tudo aquilo que as universidades estudam em sociologia com a maior liberdade. Qual é o crime ser anti-capitalista e esquerdista? Para acentuar essa denúncia, eles se baseiam no Estatuto da Terra votado durante o regime militar que acabou com as Ligas Camponesas [Movimento Camponês exterminado após o golpe de 1964, e que tinha como pauta “a reforma agrária na lei ou na marra”], para mostrar que o MST, então, se equipararia às ligas. Se voltou à época da ditadura para se sustentar esse ataque.


Essa seria uma ação orquestrada?

Isso é tão orquestrado que nunca se viu tanta agilidade. A petição chegou em Carazinho (RS) no dia 16 de junho. O despacho do juiz, que tem mais de 20 laudas, é de 16 de junho [mesmo dia]. Portanto, ele já sabia que a ação iria entrar e já estava até preparado com o despacho que ele iria dar. E para surpresa de todos os agricultores sem terra, a Brigada Militar com mais de 500 homens entrou de madrugada [nos dois acampamentos no município de Coqueiros do Sul], de surpresa, antes de chegar o oficial de justiça. O oficial de justiça chegou depois, tudo isso com a chancela do ouvidor da segurança pública aqui do estado, que deveria ser justamente aquele que protege os direitos humanos destas pessoas.


Existem outros indícios dessa ação organizada?

Está em curso no estado um abuso de poder e de autoridade. O relatório secreto do Conselho Superior do MP daqui [RS] estava preparando essas ações desde dezembro de 2007. E nesse relatório a expressão é a dissolução, estou repetindo: dissolução do MST. Uma reação popular organizada não é tolerada.


Qual providência deve ser tomada?

Nós estamos preparando os recursos judiciais que vamos entrar e as contestações a estas infelizes ações. E não se descarta a hipótese de fazer uma petição com urgência para a comissão de direitos humanos da OEA [Organização dos Estados Americanos].

MP

Posted by Carlos at 2008-06-25 19:22

Instituição criada, constitucionalmente, para defender os interesses difusos e coletivos, está desvirtuando sua função em prol da política neoliberalista.

Ditadura

Posted by Blasco Miranda de Ourofino at 2008-06-26 11:51

Quem são os principais dirigentes deste país? Quais são seus os principais apoidores e aliados? Aí estão: José Sarney ex presidente do maior partido do ocidente,a ARENA, suporte civil da ditadura; Ministro de Minas e Energia Edson Lobão, destacado dirigente da ditadura, inclusive nomeado á época governador do Maranhão; Ministro da Agricultura Reinoldo Stephani que também oocupou diversos ministérios seja durante a ditadura e no governo de traição nacional de FHC; Ministro Gedel Vieira; Ministro Hélio Costa,etc...Some-se a isto aliados influentes como Paulo Maluf, Fernando Color, Romero Jucá, Michel Temer, Renã Calheiros, Severino Cavalcanti,Delfin Neto,bancada ruralista,etc.etc.etc....São estes que verdadeiramente governam o país e comandam os deslumbrados serviçais petistas. Estão servindo mais e melhor ao imperialismo do que os governos anteriores e a própria ditadura. Queriam que tomassem qualquer outra posição concernente ao MST e outros Movimentos Sociais? É querer muito. Cabe aos Movimentos Sociais convocar os Estudantes, Professores, Artistas e outros profissionais para a luta. Porque não fazer palestras nos diretorios acadêmicos e outros denunciando tais arbítrios? Vão ficar esperando a porrada sem ao menos denuncia-los aos demais segmentos sociais? Atenciosamente Blasco Miranda de Ourofino


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