Esporte

Futebol brasileiro guarda resquícios da ditadura militar

“Não é possível apagar a História, mas podemos reescrevê-la", defende jornalista.

Curitiba (PR) |
Torcida do Corinthians contra o monopólio da Rede Globo
Torcida do Corinthians contra o monopólio da Rede Globo - André Lucas Almeida/Jornalistas Livres

A forte presença da ditadura militar no Brasil ainda é uma realidade. O tema foi levantado, durante a última semana, pelos jornalistas Fagner Torres e Maurício Targino, em seus blogs no site da ESPN FC. Enquanto Torres, torcedor do Fluminense, contestava o fato de o ex-ditador João Figueiredo ainda ser presidente de honra do clube, Targino contou com alívio o cenário que por pouco não fez o Sport de Recife ter um estádio com nome de Médici.

"Só os tricolores mais atentos à História sabem que Figueiredo é nosso presidente de honra. O mais curioso, é que ele está colocado no mesmo patamar de Barbosa Lima Sobrinho, um ícone da luta pela democracia. Acho profundamente lamentável que o clube, em algum momento, tenha dado ao general tal honraria. Uma vergonha maior que qualquer rebaixamento. Não é possível apagar a História, mas sempre temos tempo de reescrevê-la", analisou o jornalista Fagner Torres ao Brasil de Fato Paraná.

Heranças da ditadura

A ingerência dos regimes militares vai muito além dos clubes de futebol. Além da tradicional Copa do Mundo de 1970, com a seleção canarinho servindo como instrumento de propaganda para o regime militar, existem outras heranças que permanecem latentes no futebol brasileiro. O monopólio da transmissão do futebol é uma delas, sendo uma herança conquistada pela Rede Globo de Televisão ainda durante os tempos de exceção dos militares.  O próprio atual presidente da CBF Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido como Coronel Nunes, é Policial Militar.

Em tempos de discussão sobre a democracia no Brasil é sempre bom lembrar que qualquer decisão terá consequências em todas as áreas de nossas vidas.

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