Paraná

Movimentos do campo cobram compromissos firmados pelos governos estadual e federal

Entre as principais demandas estão o assentamento de famílias, o estímulo à produção e o fim dos agrotóxicos

Paraná

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Em Quedas do Iguaçu, região central do Paraná, área de conflito agrário gera tensão entre trabalhadores organizados pelo MST e a empresa madeireira Araupel. Movimento é criminalizado pela empresa e por meios de comunicação locais / Danielson Postinguer

O mês de abril é marcado por intensas mobilizações unitárias que ocorrem em todo o país e que envolvem quilombolas, indígenas, comunidades tradicionais, cooperativas de créditos rurais, agricultores, familiares, movimentos populares do campo, e outras organizações da agricultura familiar. Por conta dessas atividades, passou-se a utilizar a expressão Abril Vermelho.

O objetivo é denunciar a impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, em que 21 trabalhadores sem-terra morreram, vítimas de uma ação violenta da Polícia Militar, na cidade de Eldorado dos Carajás, sul do Pará, no dia 17 de abril de 1996.

No Paraná, os trabalhadores do campo também cobram a implantação dos compromissos firmados pelo Governo Federal de assentar as famílias acampadas- são aproximadamente 10 mil no estado-, o estimulo à agroecologia, o desenvolvimento econômico e social dos assentamentos, a implantação do programa de combate aos agrotóxicos, e a demarcação de territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais.

Eles exigem também que o governo invista recursos para fortalecer a produção, industrialização, e a venda dos alimentos através do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Além disso, reivindicam a redução nos preços da luz- no Paraná o aumento foi mais de 100% desde 2014-, e ampliação do direito dos trabalhadores e atingidos por barragens, como é o caso na Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu.

Mobilizações

Segundo informações da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Paraná, "os movimentos também se manifestam contra a reforma na Previdência Social, que quer implantar a exigência da idade mínima, assim como reafirmaram o compromisso com a democracia e a disposição de se manterem mobilizados nas capitais e no interior do país contra o golpe em contra a presidenta Dilma Rousseff".

Nesse sentido, trabalhadores rurais, organizados em movimentos populares, estarão presentes nas atividades de luta da semana e na grande mobilização do dia 29 de abril, organizada pelo Fórum de Lutas 29 de Abril, no centro de Curitiba. De acordo com o MST, no mês em que o Massacre do Eldorado de Carajás completa 20 anos e o Massacre do Centro Cívico um ano, o assassinado de dois trabalhadores sem-terra no dia 7 de abril em Quedas do Iguaçu, região central do Paraná, é mais um estímulo para a luta contra a violência do Estado sobre os trabalhadores. 

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