Paraná

No Paraná, movimentos populares e entidades se unem no Fórum de Lutas 29 de Abril

Nacionalmente, espaço de articulação defende as pautas da Frente Brasil Popular

Curitiba (PR)

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Manifestação contra o golpe e em defesa da democracia, organizada pelo Fórum de Lutas 29 de Abril, reuniu milhares de pessoas em Curitiba no dia 18 de março / Leandro Taques

O Fórum de Lutas 29 de Abril surgiu depois de uma tragédia. O massacre de professores e servidores estaduais no Centro Cívico de Curitiba, ocorrido no dia 29 de abril de 2015, gerou uma forte reação da sociedade. Com isso, advogados, jornalistas, defensores de direitos humanos, ao lado de movimentos populares e entidades sindicais, uniram-se para denunciar os abusos comandados pela Secretaria Estadual de Segurança e pelo Governo Richa naquela tarde de abril.

“Logo após o massacre do dia 29 de abril, diversas organizações que defendem os direitos humanos no Paraná viram a necessidade de se unirem e pensar pautas conjuntas. Defender a democracia e a liberdade de se organizar é uma das prerrogativas do que hoje conhecemos como Fórum 29 de Abril”, comenta o fotógrafo Joka Madruga, que presenciou a repressão daquele episódio.

Aos poucos, o Fórum ganhou o papel de fortalecer a articulação entre as lutas dos movimentos populares do campo e da cidade. “Recuperamos um Fórum como já tivemos antes, no papel de enfrentamento ao Governo Jaime Lerner (1995–1999 e 1999–2003), agregando campo e cidade”, diz o bancário Gustavo Erwin Kuss e integrante da direção do Fórum.

Lutas nacionais

Com um olhar para a situação do Brasil, o Fórum toma parte na Frente Brasil Popular (FBP), lançada em setembro de 2015, como um espaço preocupado com a ameaça de golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff (PT). Ao mesmo tempo, os movimentos populares realizam uma plataforma de crítica à política econômica do governo federal, já que este aumentou a taxa de juros e adotou medidas de contração. A Frente Brasil Popular também é contra a retirada de direitos e de poder aquisitivo dos trabalhadores.

Outra pauta importante é a necessidade de saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Ele é acusado de corrupção, de possuir contas milionárias na Suíça e ainda de tenta atrasar projetos de interesse da nação – inclusive o que investiga sua atuação parlamentar.

Desde então, a Frente Brasil Popular convocou diversos atos de rua, no dia 16 de dezembro e, recentemente, nos dias 18 e 31 de março. A defesa da democracia está em pauta.

Projeto

A Frente Brasil Popular apresenta um projeto para o país, contrário à destruição do papel das empresas estatais no incentivo e fomento à economia. Os movimentos populares também não aceitam qualquer ataque contra os direitos trabalhistas.

A Petrobrás, maior empresa brasileira, garante 13% da produção de riquezas no país. Mas a empresa está hoje parada devido à política chamada de “desinvestimento”, que prejudica o Brasil.

Já o Projeto de Lei do Senado (PLS) 555 quer abertura de capital de empresas estatais, tais como BNDES, Eletrobrás, Petrobrás e Caixa Econômica Federal. Com o projeto, trabalhadores devem perder a participação nos conselhos de representação da empresa, enquanto estas passam a atuar apenas em negócios lucrativos.

“É a gestão entregando toda uma estrutura para um particular tomar conta e ter lucros. É um desmonte! vemos o que é a entrega de um patrimônio de uma nação”, denuncia Adriana Kalckmann, servidora pública municipal.  

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