Educação

Estudantes já ocupam 73 escolas no Rio

Alunos convocam a comunidade para participar de atividades e promovem “aulões”

Rio de Janeiro

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Durante ocupações, alunos trabalham para melhorar as escolas / Pablo Vergara

Uma rotina de aprendizado, discussão política e atividades culturais faz parte dos bastidores da ocupação das escolas por estudantes da rede pública estadual do Rio de Janeiro.

Em Benfica, a Escola Compositor Luiz Carlos da Vila, da rede estadual, completa na próxima sexta-feira quatro semanas ocupação. Lá os alunos tem uma programação extensa. Durante toda a semana os alunos recebem aulas, palestra e participam de oficinas com professores, especialistas e profissionais de áreas diversas. Sempre com foco na formação cidadã e acadêmica, e, claro, de olho do Enem e no vestibular.

“A gente tem aula de literatura, biologia, filosofia, mas também de audiovisual, e muitos outros temas e matérias. O que mais aprendemos nesse tempo foi trabalhar em equipe. Tudo o que a gente faz é decidido em grupo”, conta a aluna Maria Beatriz Salustino, de 17 anos. Cerca de 30 estudantes ocupam, permanentemente, a Escola Compositor, em Benfica. 

Segundo Bia, como é conhecida entre os colegas, a ideia agora é aproximar mais a escola da comunidade. No dia 7 de abril os alunos vão realizar uma feijoada com roda de samba. Todos os moradores estão convidados. O preço é 6 reais ou 1 kg de alimento.

Professora de sociologia, Lucília Aguiar tem acompanhado de perto a ocupação na Compositor e conta o que viu. “A escola passou por um processo de precarização desde o meio do ano, desde que mudou a direção do colégio. O diretor age de forma truculenta e agressiva tanto com os professores quanto com os alunos”, conta a professora.

Segundo a professora Lucília, desde o início do ano letivo, a Compositor Luiz Carlos da Vila não teve nenhuma semana sem interrupção de aula, devido ao constante corte no fornecimento de água.

Escola em luta

Segundo informações dos próprios alunos, cerca de 73 escolas estão ocupadas nesse momentos na região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre as pautas comuns de todas essas escolas estão a melhoria na infraestrutura e o diálogo mais democrático com a direção das escolas. 

As ocupações começaram depois que os professores decretaram greve na rede estadual de ensino. A principal reclamação são os baixos salários, atrasos nos pagamentos e as péssimas condições de trabalho, causadas pelo sucateamento das escolas públicas.

Um dos primeiros ocupados, o Colégio Estadual Chico Anísio, no Andaraí, foi uma das surpresas nesse movimento de mobilização das escolas. Isso porque a escola recebe recursos privados do Instituto Ayrton Senna e tem uma estrutura melhor do que a maioria das instituições de ensino público. 

“O primeiro que disseram os alunos do Chico Anísio foi: porque todos os estudantes não têm o que nós temos no nosso colégio?”, afirma a professora Lucília Aguiar.

Aquele professor ou profissional que desejar dar aulas de forma voluntária deve ir até uma dessas escolas ocupadas ou encontrar suas páginas no Facebook buscando pelo nome da escola e assim se candidatar. Os alunos têm uma agenda onde organizam os “aulões” e convocam os demais estudantes para assistir.