Saúde

Pernambuco no centro das epidemias

Só em 2016, cerca de 80 mil casos já foram notificados no estado

Recife

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Só na região do Vale do São Francisco, 160 médicos cubanos atuam no Programa / Divulgação

Pernambuco está entre os estados brasileiros com maior número de casos de pessoas infectadas pelas arboviroses Dengue, Zika e Chikungunya. A cada novo Boletim de Arboviroses Estadual divulgado, o número de casos só aumenta. De 03 de janeiro até 16 de abril, cerca de 80 mil casos de arboviroses foram notificados. Desse montante, estão sendo investigados 177 óbitos causados pelas doenças, dos quais 12 foram confirmados por Chikungunya e um por Dengue. São 91 municípios em risco de surto, 75 em alerta e 15 com nível satisfatório, de acordo com o Boletim.

Moradora de Rajadas, distrito de Petrolina, Gildete Coelho de Amorim, 63 anos, está doente desde a Semana Santa. Ao começar a sentir dores nas articulações, dor de cabeça e febre, ela procurou ajuda médica no Atendimento Multiprofissional Especializado (AME) da localidade, na qual atuam duas médicas cubanas. “O atendimento foi muito bom. Ela passou exames, me medicou e continua me acompanhando”, afirma a senhora. Na sua casa, o esposo e a filha também estão doentes.

Maria Selma, 43 anos, agente de saúde e filha de Gildete, afirma que a chegada das médicas pelo Programa Mais Médicos foi importante para a localidade. “Foi uma bênção elas terem vindo para cá. Antes, os profissionais vinham de Petrolina e atendiam até o início da tarde. Agora, elas atendem durante todo o dia. Sem contar o carinho e respeito com que tratam cada paciente”, ressalta Selma.

Aristóteles Cardona Júnior, médico e tutor do Programa Mais Médicos no Vale do São Francisco, pela Univasf, relata que cerca de 160 médicos cubanos estão atuando na região, sob supervisão de 25 tutores. “No mês de janeiro, todos os profissionais do programa passaram por uma formação sobre as arboviroses, na qual eles viram formas de combater o mosquito, como evitar que o quadro do paciente se agrave e como conscientizar as pessoas para os cuidados nas casas”, explica Aristóteles.

O médico conta ainda que uma média de 800 mil pessoas estão sendo atendidas diretamente pelos médicos do programa no Sertão pernambucano. “Isso quer dizer que 800 mil pessoas agora têm atendimento. Isso impede que os casos se agravem ao ponto de levar à morte”, conclui.

O Programa Mais Médicos é uma iniciativa do Governo Federal, em conjunto com estados e municípios, para melhorar o atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de levar médicos para regiões com ausência dos profissionais, o programa busca investir na construção, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e aumentar o número de vagas de graduação e residência médica.

Saneamento básico é destaque da Campanha da Fraternidade 2016

Um dos aspectos apontados por pesquisadores, como agravante da epidemia, é a falta de saneamento básico para a maioria da população brasileira. Segundo o relatório “Progresso no Saneamento e Água Potável – Atualização e Avaliação dos ODMs 2015” da UNICEF e da Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,4 bilhões de pessoas ficaram sem acesso ao saneamento melhorado no ano de 2015. O Índice de Desenvolvimento do Saneamento no Brasil foi de 0,581, posição inferior a dos países desenvolvidos, mesmo frente a vários países da América do Sul.

Diante desta realidade, este ano, a Campanha da Fraternidade Ecumênica apresenta o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e tem como lema “Quero ver o direito brotar como uma fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. O objetivo é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas. Além do empenho por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro do planeta.

Em Olinda, a Campanha da Fraternidade 2016 foi lançada no lixão da cidade. "Nós escolhemos esse lugar, porque entendemos que há a necessidade de eliminar os lixões, que causam tantos transtornos para a população. Queremos sensibilizar os órgãos responsáveis para que o saneamento básico adequado seja levado para todas as pessoas", reforça o diácono João.