América do Sul

Estudantes ocupam escolas no Paraguai para reivindicar melhorias na educação

Com as ocupações se pede melhorias na educação do país e a renúncia da ministra do setor, Marta Lafuente

Opera Mundi

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Alunos da escola República da Argentina, ocupada desde a terça-feira em protesto contra más condições do setor de educação no país / Agência Efe

Na capital, Assunção, alunos das escolas públicas República da Argentina, Técnico Nacional e Comercio 2 ocupam as instituições de ensino. Segundo a agência Associated Press, cerca de mil alunos participam da mobilização.

Os estudantes também realizam manifestações nas ruas de Assunção.

O líder do colégio Comercio 2, Facundo Quintana, disse que o objetivo é protestar contra o Ministério da Educação, que não cumpriu promessas feitas depois de protestos estudantis no ano passado, como a entrega de livros e almoços gratuitos.

De acordo com Quintana, o governo “tampouco cumpriu o compromisso de consertar as instituições em todo o país, que caem aos pedaços por falta de manutenção”.

Os estudantes também pedem a renúncia da ministra de Educação, Marta Lafuente, acusada de estar envolvida em denúncias de superfaturamento em licitações para compra de água e alimentos.

O protesto ganhou a adesão de estudantes de outras escolas públicas e também privadas em Assunção. No interior, alunos dos departamentos de Itapúa, Caaguazú, Ñeembucú e Misiones, Alto Paraná, San Pedro, Canindeyú se somaram ao movimento.

Em comunicado, a Fenaes (Federação Nacional de Estudantes Secundaristas) expressou solidariedade e apoio aos alunos que, segundo a entidade, protestam “diante da falta de respostas concretas por parte das autoridades ministeriais”.

A Fenaes reforça o pedido para a renúncia de Marta Lafuente, que “representa uma gestão de falta de transparência na administração de dinheiro público e autoritarismo em todos os níveis do ministério”.

Em coletiva de imprensa, a ministra afirmou que não deixará o cargo e pediu uma nova reunião com os estudantes para discutir as pautas.

De acordo com o assessor do Ministério da Educação Jesús Montero, a ministra quer entregar livros a todos os alunos do país, mas não tem “orçamento suficiente”. Sobre a gratuidade dos almoços, disse que a implementação deverá ocorrer por meio dos municípios e governos dos departamentos.

“Tudo bem que os alunos exerçam seu direito constitucional ao protesto, mas é ruim perder horas de aulas”, declarou.