Escracho

Pedro Paulo (PMDB) é "escrachado" em frente a sua casa, no Rio

Dezenas de pessoas protestaram contra a candidatura do político à Prefeitura do Rio

Rio de Janeiro

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Pedro Paulo é acusado de agredir a ex-esposa duas vezes, em 2008 e 2010 / Cuca da UNE

Depois de Jair Bolsonaro, o deputado federal e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo (PMDB), também foi “escrachado” em frente a sua casa, na manhã da última quarta-feira (4), no Recreio dos Bandeirantes. Com faixas e cartazes, dezenas de pessoas protestaram pelo fim da violência contra a mulher e em oposição ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

Convocada pelo Levante Popular da Juventude, a manifestação faz parte da campanha chamada “Escrache um Golpista”, que está acontecendo nas últimas semanas em várias cidades do país.

Segundo uma nota divulgada pelo movimento, Pedro Paulo foi o político escolhido da vez para o “escracho” porque além de ter votado a favor do impeachment de Dilma, também é acusado de agredir a ex-esposa duas vezes, em 2008 e 2010. Em outubro do ano passado, em meio à repercussão das acusações de violência, o pré-candidato à Prefeitura minimizou seus atos ao declarar que “qualquer casal tem brigas”.

Machista

“Além de golpista, o Pedro Paulo é agressor e machista e nós não podemos deixar isso passar. Não podemos ter ele como prefeito. Precisamos mostrar para as mulheres que nós não podemos votar em agressor, isso é contra nós mesmas. Então, o que a gente espera é que se crie uma ação em toda a cidade contra a candidatura dele. Queremos que ele se torne ilegível, que ninguém pense em votar no Pedro Paulo, as mulheres principalmente”, afirma Bianca Campos, 19 anos, estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Levante Popular.

Para Luana Vitório, 20 anos, estudante da Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ), o protesto também é um alerta aos retrocessos que o projeto “Ponte para o Futuro”, do PMDB, representa para o país. “Eles têm um plano de retirada de direitos, que traz a terceirização como uma das práticas, o que vai piorar ainda mais a vida do jovem e da classe trabalhadora no Brasil. Pedro Paulo saiu daqui do Rio, onde é secretário, apenas para votar sim no Congresso. Sabemos que ele fez isso porque faz parte do golpe que vem sendo conduzido pelo seu partido”.

Agressões

Durante o ato, entre os gritos de “Fora, Pedro Paulo!”, manifestantes maquiadas com hematomas representavam mulheres agredidas. Em frente à casa do político, um casal encenou as agressões de Pedro Paulo à sua ex-esposa. Enquanto a manifestação percorria as ruas do Recreio dos Bandeirantes, a vizinhança parou para ver. Poucos moradores responderam com intolerância ao protesto, outros demonstraram apoio às pautas, com buzinas e sinais positivos.

Entre os que passavam pelo local e paravam para acompanhar, estava a empregada doméstica Heloísa Teixeira, 40 anos. “Eu acho ótimo que esse ato esteja acontecendo aqui. É por nós que o protesto está sendo feito. Achei um absurdo esse homem fazer o que ele fez e ser candidato a prefeito. Então, temos que botar ele para baixo para que não vire prefeito do Rio de jeito nenhum”, afirmou, acrescentando que não sabia que o político morava no local. “Trabalho aqui perto e acho bom ele ter contato com isso para não ficar só no mundinho dele.  Ele tem que ter ciência que nós estamos cansados de tanta corrupção e tanta bagunça que estão esse Brasil e esse Rio de Janeiro”, conclui.