Contra o golpe

Movimentos populares e centrais sindicais mantêm protestos nesta terça-feira (10)

Apesar da anulação da votação do impeachment, frentes de movimentos sociais reforçam a necessidade de se manter nas ruas

Redação

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Paralisação de rodovia no último dia 28, em ato convocado pela Frente Povo Sem Medo / MTST

As centrais sindicais e movimentos populares confirmam as paralisações convocadas na última semana pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo nesta terça-feira (10), independentemente das consequências da anulação da sessão de votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, assinada nesta segunda pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, o deputado federal Waldir Maranhão (PP-MA).

Em nota, a Frente Brasil Popular saudou a decisão de Maranhão, que "corrobora o apelo e o clamor da sociedade que defende a democracia".  "Somente com muita mobilização popular poderemos assegurar essa decisão. Assim, é fundamental mantermos a mobilização nos Estados e em Brasília, bem como a realização das atividades já agendadas para os próximos dias", diz um trecho do texto.

Ânimo

Desde o início da manhã, haverá mobilizações de categorias e bloqueios de rodovias em diversas cidades e capitais do país, relata Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP). O objetivo é promover "muitos agitos em defesa da democracia, contra o golpe e a retirada de direitos".

Segundo ele, as ações já estavam coordenadas desde semana passada e nada muda com a alteração do cenário político em Brasília e a possível retardação da votação no Senado, que está prevista para esta quarta-feira (11).

Bonfim conta que a Frente Brasil Popular recebeu com ânimo a notícia da nulidade, pois reforça os argumentos da rede sobre o caráter ilegal dos procedimentos do processo de impeachment. "É um sinal positivo para nossa luta. Estamos em um processo de disputa que não terminou. Essa decisão reanima a militância a continuar denunciando o golpe", disse.

Permanência nas ruas

O coordenador da CMP também ressaltou a importância de os movimentos populares não saírem das ruas, porque "as forças golpistas vão tentar reverter a medida". Ele conta que haverá um ato e uma vigília em Brasília. "Só estamos estudando o caráter do ato do dia 12. Vamos nos reunir para pensar como ajudar a sustentar essa decisão [do deputado Maranhão] e pressionar Renan [Calheiros] a devolver o processo imediatamente", afirmou.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, que integra a Frente Povo Sem Medo, acredita que a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados "reestabelece minimamente a legalidade da Constituição" e "reforça da ilegitimidade do golpe".  "Abriu-se, da forma como o processo foi conduzido por Eduardo Cunha, um precedente de instabilidades que revelou toda a ilegalidade que permeia o processo", disse.

No entanto, ele afirma que as atividades devem ser mantidas, pois a decisão pode ainda ser revertida. "Há outros atores interessados no golpe. Não podemos nos iludir. Devemos continuar na ruas", disse. Para ele, as mobilizações desta terça serão "mais um recado de que eles [oposição] podem até ganhar no tapetão, mas não vão ter condições de governar".

Edição: Camila Rodrigues da Silva