Democracia

Protesto contra o golpe tranca Av. 23 de Maio em São Paulo

Ato faz parte de Dia Nacional de Mobilização; organizações prometem resistência caso Temer vire presidente

São Paulo

,
Via ficou paralisada aproximadamente 40 minutos na manhã desta terça-feira (10) / BdF

Militantes de movimentos, sindicatos e entidades que compõem a Frente Brasil Popular (FBP) trancaram a Avenida 23 de Maio, via que liga as regiões norte e sul da cidade de São Paulo, na manhã desta terça-feira (10). O ato faz parte do “Dia Nacional de Paralisações e Mobilização em Defesa da Democracia e dos Direitos Trabalhistas”. Os manifestantes protestavam contra o impeachment de Dilma Roussef (PT) que tramita no Congresso. Para as entidades participantes, as atividades de hoje indicam a disposição dos movimentos sociais em resistir a uma possível gestão de Michel Temer (PMDB).

A via foi bloqueada nos dois sentidos. Por volta das 6h30, barricadas de pneus, nos quais se ateou fogo, foi formada na 23 de Maio. O trânsito no local foi interditado cerca de 40 minutos, até às 7h10. Os presentes carregavam uma faixa na qual se lia “Golpe é Guerra” e gritavam “Não vai Ter Golpe!”.

São Paulo

Outro bloqueios ocorreram na região metropolitana de São Paulo. Um grupo de cerca de 150 pessoas bloqueou a pista expressa da Marginal Tietê, no sentido Castello Branco, entre as pontes Aricanduva e Tatuapé.

Em Pirituba, a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães também teve uma faixa, no sentido Centro, trancada. Um bloqueio interditou compeltament a Rodovia Helio Smidt, em Guarulhos, no sentido aeroporto de Cumbica, na altura do km 2, onde via passa pela Dutra.

Resistência

O Dia Nacional de Mobilização inclui “trancaços e paralisações em escolas, faculdades e fábricas”, explica Antônio Pedro Souza, coordenador da Federação das Associações Comunitárias de São Paulo (Facesp) e da Frente Brasil Popular (FBP) no estado.



“A situação política no país se radicalizou. Amanhã, provavelmente, Dilma será afastada, ou seja, uma parte do golpe será cumprida. O golpista Michel Temer tomará o governo. Queremos chamar a atenção da população para o que está acontecendo. Não é apenas o mandato da presidenta que está em jogo, mas também todos os avanços conquistados conquistados nos últimos 12 anos, incluindo programas sociais e direitos dos trabalhadores”, afirma Souza.

Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) e da FBP, diz que as manifestações de hoje são um indicativo do que ocorrerá caso Temer assuma e assuma como presidente, instaurando um “governo ilegítimo, ilegal, fruto de um golpe sem base jurídica”.

“Quanto mais eles apertam do lado de lá, nós temos que apertar do nosso lado. Estamos dando uma sinalização de que eles não vão atacar a Constituição e nossos direitos sem resistência popular. É uma demonstração. Terá muito mais caso o impeachment continue”, diz Bonfim.

Anulação

Bonfim também comentou os evento ocorridos na segunda-feira (9): a anulação da votação do impeachment pelo presidente interino da Câmara, a fala de Renan Calheiros (PMDB-AL) de que daria prosseguimento ao processo de qualquer forma e o recuo de Walmir Maranhão (PP-MA). “É uma situação que demonstra a fragilidade, a fragmentação e a falta de autoridade deste Congresso Nacional. Por isso, nós temos que aproveitar esse momento para fazer uma profunda reforma política. Nós defendemos que o caminho é uma Assembleia Constituinte para que se faça uma reforma profunda, porque nós não nos sentimos representados”, criticou.

Os movimentos populares prometem estar em Brasília nos dias da votação do impeachment pelo plenário do Senado. Segundo Souza, caso Dilma seja afastada, os movimentos irão recepcioná-la: “Vamos estar em Brasília no dia 12. Caso se consume o impeachment, os movimentos estarão lá para recebê-la e dizer que ela é a presidenta do Brasil de direito e que não reconhecemos a legitimidade de Temer para governar o país”, apontou.

A Frente Brasil Popular, independentemente do cenário, pretende continuar mobilizada. “Tudo indica que o golpe irá dar mais um passo no dia 12. Nós vamos resistir: a classe trabalhadora, os movimentos sociais, não têm outra alternativa. Eles não vão fazer do jeito que eles quiserem”, afirma Bonfim. “O jogo não acabou”, completa.